Política

Zoneamento novo em SP: 14 bairros liberam prédios altos; veja impacto

Revisão do PDE em SP, aprovada nesta semana, permite prédios de até 30 andares em 14 bairros periféricos. Entenda como isso pode valorizar (ou desvalorizar) seu imóvel.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Zoneamento novo em SP: 14 bairros liberam prédios altos; veja impacto

A Prefeitura de São Paulo aprovou nesta terça-feira (18) uma revisão abrangente do Plano Diretor Estratégico (PDE), promovendo a maior mudança no zoneamento urbano da cidade desde 2014. A medida, que entra em vigor em 90 dias, libera a construção de edifícios de até 30 andares em 14 bairros das zonas Leste e Sul, antes limitados a prédios de até 8 andares. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, o objetivo é ampliar a oferta de moradias próximas aos corredores de ônibus, mas o impacto no valor dos imóveis já é sentido.

Dados do Secovi-SP divulgados esta semana mostram que, nos três dias seguintes ao anúncio, os preços de lançamentos em bairros como Itaquera, São Mateus e Capão Redondo subiram em média 12%. Em contrapartida, imóveis em regiões como Pinheiros e Moema, que já eram verticalizados, podem sofrer desvalorização de até 8% nos próximos 12 meses, segundo projeção da consultoria BuildIn. "Há um efeito manada: o comprador está correndo para as áreas afetadas, enquanto quem tem imóvel em bairros consolidados teme o excesso de oferta", avalia a urbanista Cláudia Pinho, da USP.

A revisão do PDE também criou um novo instrumento: o Certificado de Potencial Adicional de Construção (CEPAC) para áreas de expansão, que deve ser leiloado na B3 a partir de outubro. A Prefeitura estima arrecadar R$ 2,5 bilhões com esses títulos até 2028, recursos que serão usados para financiar a ampliação do metrô até a Zona Leste. "É uma aposta na infraestrutura: primeiro verticaliza, depois traz o transporte", disse o secretário de Urbanismo, Ricardo Pereira, em coletiva na segunda-feira.

Mas a mudança não é consenso. O Ministério Público Estadual entrou com ação civil pública na quarta-feira (19) para suspender a revisão, alegando falta de participação popular nas audiências (apenas 3 mil pessoas participaram presencialmente, ante 40 mil em 2014). Entidades de moradores dos bairros afetados, como a Associação Viva São Mateus, prometem protestos no próximo sábado. "Vai virar uma nova Minhocão, com prédios sem infraestrutura", critica o presidente da entidade, João Carlos.

Para investidores, o momento exige atenção. A corretora Lopes já mapeou 40 terrenos com potencial de compra nos bairros liberados, com preços entre R$ 800 e R$ 1.200 por metro quadrado. "Quem comprou na região há seis meses já viu seu terreno valorizar 30%", afirma o analista imobiliário Marcos Reis. Ele recomenda cautela com a ação judicial: "Se a liminar for aceita, o zoneamento pode voltar atrás e quem comprou no pico pode se dar mal".

O mercado financeiro também reagiu: ações das incorporadoras com foco em baixa renda, como a Tenda e a MRV, subiram 5% na semana, refletindo a expectativa de novos lançamentos. Já a Cyrela, focada em alto padrão, caiu 3%. "O mercado está apostando em uma verticalização da periferia, mas é um jogo de alto risco", resume Luís Felipe, analista da XP Investimentos.

A expectativa é que o prefeito sancione a lei até o fim do mês. Enquanto isso, vale acompanhar o desenrolar da ação no MP. Para quem pensa em comprar ou vender, a dica é uma: na dúvida, espere os próximos 30 dias para ver se a revisão sobrevive. Se ficar de braços cruzados, pode perder a oportunidade de comprar barato antes do boom; se entrar de cabeça, pode amargar um prejuízo se a justiça intervier. O jogo está apenas começando.

#zoneamento#plano diretor#São Paulo#mercado imobiliário#reforma urbana
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