Selic a 15,25%: quanto sua parcela subiu após o último Copom
Copom elevou a taxa básica em 0,5 ponto porcentual na última quarta; para cada R$ 100 mil financiados, a parcela subiu R$ 118. Veja o impacto real no seu bolso.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 15,25% ao ano na última quarta-feira, 26 de agosto, em decisão unânime. Para quem está financiando um imóvel ou pensa em comprar, o impacto é imediato e mensurável: uma alta de 0,5 ponto porcentual na taxa básica significa, na prática, um acréscimo de R$ 118 na parcela de cada R$ 100 mil financiados em 30 anos, segundo simulações feitas com as tabelas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
A decisão do Copom já era esperada pelo mercado, mas a magnitude do impacto no financiamento imobiliário surpreendeu. Com a Selic em 15,25%, a taxa média do financiamento imobiliário com recursos da poupança saltou para 12,9% ao ano, ante 12,4% no início de agosto. Em um financiamento típico de R$ 400 mil, a parcela saltou de R$ 4.208 para R$ 4.680, uma diferença de R$ 472 por mês. No acumulado do ano, com as quatro altas de 0,5 ponto, a parcela de quem comprou um imóvel em janeiro já subiu R$ 1.130.
A alta da Selic tem efeito direto na caderneta de poupança, principal fonte de recursos do crédito imobiliário. Com a taxa básica acima de 8,5% ao ano, a remuneração da poupança fica limitada a 0,5% ao mês mais a TR, o que reduz a atratividade do investimento e, consequentemente, a captação dos bancos para financiamentos. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), a captação líquida da poupança ficou negativa em R$ 2,3 bilhões em agosto, o que deve pressionar as condições de crédito nos próximos meses.
Para o mercado imobiliário, o cenário é de desaceleração. A Abrainc, associação que reúne as maiores incorporadoras do país, projeta uma queda de 12% nas vendas de imóveis novos no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Os lançamentos também devem recuar, com as incorporadoras adiando projetos por causa do custo do dinheiro e da menor demanda. No segundo trimestre, os dados da Secovi-SP já mostravam uma queda de 8% nas vendas na capital paulista.
Apesar do cenário desafiador, há quem enxergue oportunidades. Com a alta dos juros, a tendência é que os preços dos imóveis se estabilizem ou até recuem em algumas regiões, abrindo espaço para negociações. O índice FipeZap, que acompanha os preços de imóveis em 50 cidades, registrou variação de apenas 0,2% em agosto, a menor alta mensal desde 2023. Especialistas recomendam que quem tem recursos próprios e pode negociar à vista ou com entrada maior aproveite o momento para barganhar descontos, que hoje chegam a 10% em imóveis prontos na planta.
Para quem já tem financiamento, a recomendação é renegociar. Com a Selic em alta, os bancos costumam oferecer condições melhores para quem troca o contrato pela portabilidade, especialmente se houver concorrência entre instituições. Alguém que financiou R$ 300 mil em 2024 a 11% ao ano pode reduzir a parcela em até R$ 280 por mês migrando para um banco que ofereça 10,5%, ainda dentro da janela de 90 dias após o último reajuste.
A expectativa do mercado, segundo o boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, é que a Selic atinja 15,5% na próxima reunião de outubro. Isso significa que os juros do financiamento imobiliário podem subir ainda mais. Para quem está no limite do orçamento, o conselho é esperar a poeira baixar: com a inflação em 4,2% no acumulado de 12 meses, o Copom deve manter a taxa elevada até o primeiro trimestre de 2027, e só então começar a reduzir. Até lá, a palavra de ordem é planejamento e negociação.


