FIIs disparam 5,2% na semana com IPCA-15 e Copom; veja os 7 fundos que lideraram
Enquanto o Ibovespa patinou, os FIIs de tijolo e papel surfaram a curva de juros. Lista exclusiva revela os ganhos, os dividendos e o porquê de o mercado já precificar nova queda da Selic.

A semana que terminou em 31 de agosto coroou os fundos imobiliários como a classe de maior retorno entre os ativos listados na B3. O Ifix, índice que reúne os principais FIIs, acumulou alta de 5,2% nos cinco pregões, impulsionado pela leitura mais benigna do IPCA-15 e pela ata do último Copom, que reforçou a expectativa de corte de 0,5 ponto percentual na Selic ainda em setembro.
Entre os destaques, os fundos de papel foram os grandes protagonistas. O FII XPSL11, que concentra CRIs indexados ao CDI, subiu 7,8% na semana, enquanto o KNCR11, de recebíveis imobiliários, avançou 6,4%. Já entre os fundos de tijolo, o XPML11, de shoppings, ganhou 4,9%, refletindo a alta de 3,1% nas vendas do varejo físico em julho, segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira.
O movimento, segundo gestores ouvidos pela reportagem, foi puxado por dois fatores. Primeiro, a desaceleração do IPCA-15, que veio em 0,12% na leitura de agosto, abaixo do consenso de 0,20%. Segundo, a sinalização do Banco Central de que o ciclo de queda da Selic, iniciado em junho, deve ganhar ritmo. Com juros menores, o fluxo para fundos imobiliários tende a se intensificar, já que o dividend yield médio do Ifix, de 9,8% ao ano, fica cada vez mais atraente frente à renda fixa.
Outro dado que chamou a atenção foi o volume de emissões. Neste mês, 14 novos FIIs captaram R$ 3,2 bilhões na B3, o maior montante para agosto desde 2021, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Desse total, R$ 1,4 bilhão foi direcionado a fundos de papel, em uma clara aposta na continuidade da queda de juros.
Apesar do otimismo, especialistas recomendam cautela. O IFIX ainda opera 4,1% abaixo do pico histórico de junho de 2025, e a alta recente pode ter antecipado parte do movimento. "O investidor deve buscar fundos com contratos atípicos e vacância baixa, que protejam o rendimento em um cenário de desaceleração econômica", afirma a analista da Suno Research, Mariana Costa. Ela cita os FIIs de galpões logísticos, como o LOGG11, que segue com 98,2% de ocupação e contratos reajustados pelo IPCA.
Para a próxima semana, o mercado monitora a divulgação do PIB do segundo trimestre, prevista para terça-feira, e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira. Se a Selic cair para 12,25% ao ano, como precificado pelo mercado futuro, a tendência é de novos aportes em FIIs — mas também de maior volatilidade. Quem entrou na alta recente deve avaliar o preço de entrada, pois fundos como o HGLG11 e o KNRI11 já negociam com prêmio de 12% a 15% sobre o valor patrimonial.
Na prática, a semana deixou um recado claro: os FIIs voltaram a ser o porto seguro do investidor brasileiro, mas a seleção criteriosa é mais importante do que nunca. Do lado do dividendo, a média dos 7 fundos que lideraram os ganhos semanais paga 1,05% ao mês, o que reforça o apelo para quem busca renda passiva. O desafio, agora, é não se deixar levar pelo impulso e acompanhar os fundamentos de cada ativo.


