Valorização imobiliária: 5 cidades que subiram até 34% no trimestre
Levantamento inédito do FipeZap revela os municípios que mais valorizaram entre maio e julho. Veja se a sua cidade está na lista e por que o Nordeste dominou o ranking.

A corrida imobiliária brasileira mudou de rota. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro seguem com variações modestas, cidades médias do Nordeste e do interior do país registraram valorizações de até 34% no metro quadrado entre maio e julho deste ano, segundo levantamento do FipeZap divulgado nesta quarta-feira (12).
O ranking do trimestre é liderado por Campina Grande (PB), onde o preço médio do m² saltou 34,2% no período, para R$ 6,2 mil. Em segundo lugar aparece João Pessoa (PB), com alta de 28,9% e m² a R$ 8,4 mil. A lista ainda traz Aracaju (SE), com 22,5%, Vitória da Conquista (BA), com 19,8%, e Maringá (PR), com 15,3%.
O que explica esse movimento? Para o economista-chefe da Abrainc, Luiz Fernando de Paula, a combinação de juros mais previsíveis e a migração de investidores para cidades com menor preço de entrada e alto potencial de turismo e tecnologia criou um efeito manada. "O investidor que não consegue mais comprar em áreas nobres das capitais tradicionais migra para mercados com fundamentos fortes, impulsionando preços que estavam defasados", afirma.
O cenário é reforçado pela decisão do Copom da semana passada, que manteve a Selic em 12,25% ao ano, após três cortes consecutivos no primeiro semestre. A estabilidade trouxe segurança para quem planeja financiar, mas ainda não derrubou os juros do crédito imobiliário, que seguem na casa dos 12% ao ano para pessoas físicas, segundo dados do Banco Central.
No recorte por bairros, a valorização foi ainda mais pulverizada. Em Campina Grande, o bairro do Catolé viu o m² subir 41% nos últimos três meses, impulsionado pela chegada de novos empreendimentos comerciais e pela expansão do setor de tecnologia, que já emprega mais de 5 mil pessoas na cidade.
Para quem busca oportunidades, o coordenador de pesquisas do Secovi-SP, Celso Petrucci, alerta que o movimento pode ter vida curta. "Valorizações acima de 30% em um trimestre não são sustentáveis. O investidor precisa avaliar se o preço já não está acima da renda local e se o mercado de locação acompanhou essa alta", pondera.
A pesquisa ainda monitora 50 cidades. Entre as capitais, apenas 12 tiveram alta acima de 10% no trimestre, com destaque para Fortaleza (18,7%), Salvador (16,4%) e Manaus (14,2%). São Paulo ficou com variação de 2,1% e o Rio, de 1,4% no mesmo período.
A expectativa do setor é que, com a inflação controlada e a possível nova redução da Selic em setembro, a demanda reprimida por imóveis residenciais se espalhe para mais praças. Mas, por enquanto, a recomendação dos analistas é clara: olhe para as cidades médias, mas com cautela e pesquisa de campo antes de decidir.


