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Valorização imobiliária: 5 cidades que subiram até 18% no trimestre

Levantamento inédito do FipeZap revela que cidades médias do interior lideram alta no 2º trimestre de 2026; veja onde o metro quadrado mais subiu e se ainda dá tempo de comprar.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: 5 cidades que subiram até 18% no trimestre

O segundo trimestre de 2026 foi generoso para o mercado imobiliário brasileiro, mas não para todas as capitais. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro ensaiam uma recuperação tímida, é no interior do país que os preços realmente dispararam. Segundo levantamento inédito do FipeZap divulgado nesta semana, cinco cidades médias registraram valorização de até 18% em apenas três meses, puxadas pela migração de trabalhadores remotos e pelo avanço do agronegócio.

Liderando o ranking está Ribeirão Preto, no interior paulista, com alta de 18,2% no preço médio do metro quadrado, que chegou a R$ 8.450. Em seguida aparecem Londrina (PR), com 15,7%, e Joinville (SC), com 14,9%. A lista é completada por Sorocaba (SP) e Goiânia (GO), ambas com ganhos acima de 12%. Os dados consideram apenas imóveis anunciados para venda em junho, comparados ao fechamento de março.

O movimento não é isolado. A migração para cidades médias, acelerada desde a pandemia, ganhou novo impulso com o avanço do trabalho híbrido e a chegada de centros de distribuição de grandes varejistas. "São cidades com infraestrutura de capital, mas custo de vida menor. A demanda por imóveis novos e usados cresceu num ritmo que a oferta não acompanha", explica Marina Bortolini, economista-chefe da Abrainc, em relatório enviado a clientes nesta semana.

Nas capitais, a valorização foi bem mais modesta. O índice FipeZap de julho, divulgado na última segunda-feira, aponta alta média de 1,2% no trimestre para as 50 cidades monitoradas, com destaque para Florianópolis (5,4%) e Curitiba (4,1%). São Paulo ficou em 2,3%, enquanto Rio de Janeiro amargou queda de 0,8% — reflexo do excesso de oferta de imóveis de alto padrão na Zona Sul.

Para quem pensa em investir, o momento exige cautela. Com a Selic ainda em dois dígitos, o custo do financiamento pesa no bolso. No último Copom, realizado no fim de julho, o Banco Central manteve a taxa em 11,75% ao ano, mas o mercado já precifica um corte de 0,5 ponto percentual na reunião de setembro. "Se a Selic cair, a tendência é de nova aceleração nos preços, principalmente nas cidades médias", avalia o analista Bruno Carneiro, da consultoria imobiliária DataZAP.

A dica dos especialistas é olhar para além da valorização passada. Bairros em expansão de infraestrutura — como o Distrito Industrial de Sorocaba e a região do Parque Tecnológico de Goiânia — ainda oferecem imóveis com potencial de alta, mas exigem pesquisa e paciência. "Quem entrou em Ribeirão Preto há um ano já viu seu imóvel valorizar 30%. Mas o mercado não é uma reta infinita; é preciso avaliar a renda local e a oferta futura", pondera Carneiro.

Enquanto o segundo semestre começa, o recado do trimestre é claro: diversificar para fora das capitais deixou de ser estratégia de nicho para se tornar tendência consolidada. E com a possível queda da Selic no horizonte, a corrida por imóveis nas cidades médias pode ganhar ainda mais força — e preços.

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