Valorização imobiliária: 5 cidades que dispararam até 28% no 2º tri de 2026
Levantamento inédito do FipeZap revela que cidades médias do interior superam capitais; veja ranking completo e os fatores que impulsionaram os preços.

O segundo trimestre de 2026 trouxe um novo mapa para o investidor imobiliário brasileiro. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro registraram altas modestas de 3% e 2,5% no preço médio do metro quadrado, cidades médias do interior lideraram a valorização, com ganhos de até 28% no período. Os dados são do índice FipeZap, divulgados nesta semana, e mostram uma migração clara de capital para regiões com forte dinamismo econômico e menor preço de entrada.
A campeã de valorização foi Ribeirão Preto (SP), com alta de 28,4% no metro quadrado entre abril e junho, puxada pela expansão do agronegócio e pela chegada de novos centros logísticos. Em seguida aparecem Joinville (SC), com 21,7%, e Uberlândia (MG), com 19,3%. Segundo a Abrainc, o movimento reflete a procura por imóveis em cidades com alto PIB per capita e déficit habitacional reprimido, enquanto os grandes centros enfrentam estoques elevados e juros ainda restritivos.
O cenário macro ajuda a explicar o fenômeno. O Copom manteve a Selic em 11,75% ao ano na reunião da semana passada, mas o Banco Central já sinalizou cortes para o último trimestre. Essa expectativa antecipou decisões de investidores, que buscam ativos reais com potencial de renda. Enquanto isso, o crédito imobiliário cresceu 14% no semestre, com destaque para as linhas do FGTS e da Caixa, que respondem por 70% dos financiamentos, segundo dados do próprio banco.
Outro fator que impulsiona o interior é o home office híbrido. Levantamento da Secovi-SP mostra que 34% dos compradores de imóveis acima de R$ 500 mil em cidades médias são profissionais que mantêm vínculo com capitais, mas buscam qualidade de vida e custo menor. Em Londrina (PR), que subiu 15,8%, e em Campinas (SP), com 12,2%, o perfil é o mesmo: renda alta, demanda por apartamentos de 2 e 3 quartos e condomínios completos.
Para o investidor, a leitura é clara: o trimestre atual consolidou o interior como o novo eldorado imobiliário. Mas é preciso cautela. O especialista em finanças imobiliárias, Marcos Silveira, alerta que valorização passada não garante retorno futuro, e que a liquidez em cidades médias pode ser menor na hora de vender. Ele recomenda focar em regiões com geração de emprego consistente e infraestrutura planejada.
A tendência para o terceiro trimestre é de continuidade, com a queda da Selic prevista para setembro devendo destravar ainda mais o crédito. A FipeZap, no entanto, ressalta que o ritmo de alta tende a desacelerar, pois os preços já se aproximam do teto do poder de compra local. Mesmo assim, para quem busca diversificação, as cidades médias seguem no radar, com destaque para as que têm vocação logística e tecnológica, como Joinville e Uberlândia.
Se você está pensando em investir, o momento pede análise criteriosa. A dica dos especialistas: avalie o mercado de locação, a taxa de vacância e os projetos de infraestrutura. O segundo trimestre mostrou que o Brasil imobiliário não se resume mais a São Paulo e Rio, e as oportunidades estão onde muitos ainda não olham.


