Valorização imobiliária: 5 cidades brasileiras que subiram até 38% no trimestre
Levantamento do FipeZap com dados de julho revela quais capitais lideram a alta — e por que o Sudeste ficou de fora. Veja se a sua está na lista.

O mercado imobiliário brasileiro fechou o segundo trimestre de 2026 com um recado claro: o dinheiro está migrando para o interior e para o Nordeste. Levantamento do FipeZap divulgado nesta semana mostra que, enquanto a média nacional de valorização foi de 2,1% no período, cinco cidades destoaram com altas de até 38% no preço do metro quadrado.
A liderança ficou com Fortaleza, que viu seu metro quadrado saltar de R$ 9.450 em abril para R$ 11.212 em julho — um avanço de 18,6% no trimestre. O movimento reflete a combinação de demanda turística aquecida, obras do VLT e a chegada de novos empreendimentos de alto padrão na orla. Segundo a Secovi-CE, a oferta de imóveis prontos na capital cearense caiu 14% desde o início do ano, pressionando os preços.
Em segundo lugar aparece Campinas (SP), com alta de 15,2% no mesmo período, impulsionada pelo setor de tecnologia e pela especulação em torno da expansão do aeroporto de Viracopos. Já o terceiro posto é de Florianópolis (SC), onde o metro quadrado subiu 12,4% em três meses, sustentado pela compra de imóveis de luxo por estrangeiros e pelo boom de data centers que chegaram à região metropolitana.
O contraste com as capitais tradicionais chama atenção. São Paulo e Rio de Janeiro, que concentram o maior estoque imobiliário do país, registraram valorização de apenas 0,8% e 0,5% no trimestre, respectivamente, segundo o índice FipeZap. Com a taxa Selic mantida em 13,75% pelo Copom em sua última reunião, no fim de julho, o crédito imobiliário continua caro, e o investidor está migrando para cidades onde o preço de entrada é menor e o potencial de retorno é maior.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o fenômeno é estrutural. "O interior do Brasil está vivendo um ciclo de interiorização do desenvolvimento, puxado por agronegócio, energia renovável e serviços remotos", afirma a economista Helena Campos, da consultoria UrbanData. "Quem comprou na planta em cidades como Fortaleza e Campinas há 24 meses já viu seu patrimônio valorizar mais de 60%, sem considerar a inflação."
Para o investidor de fundos imobiliários, o ranking serve de alerta para revisar a carteira. "Os FIIs de tijolo que apostaram em capitais do Sudeste estão com vacância alta, enquanto os fundos que miraram no Nordeste renderam, em média, 23% no último semestre", compara o analista da XP Investimentos, Bruno Rocha, com base em dados da B3. O fluxo de capital estrangeiro também ajuda: a Abrainc registrou ingresso de R$ 12 bilhões em imóveis no Brasil no primeiro semestre — 70% deles direcionados a cidades de médio porte.
A recomendação dos especialistas é clara: quem ainda não tem exposição a essas praças precisa agir rápido, mas com critério. "A alta de 38% não é garantia de retorno futuro; é preciso avaliar a infraestrutura, o emprego e a liquidez", pondera Campos. Para o próximo trimestre, as apostas do mercado estão em Belém (PA), que se prepara para a COP30, e em Goiânia (GO), que vive um boom de condomínios logísticos.
Enquanto isso, nas capitais tradicionais, a recomendação é aguardar um possível corte de juros no último Copom do ano, previsto para dezembro. Até lá, o investidor inteligente está de olho no mapa da valorização — que, neste semestre, tem nome e sobrenome: Fortaleza, Campinas e Florianópolis.


