Valorização de até 12%: as 5 cidades que lideram o ranking imobiliário do trimestre
Enquanto São Paulo andou de lado, cidades médias do interior dispararam. Dados do FipeZap mostram quem puxou o ranking e o que isso significa para seu próximo investimento.

O mercado imobiliário brasileiro termina o terceiro trimestre de 2026 com um ranking bem diferente do que se viu nos últimos anos. Levantamento do FipeZap divulgado nesta semana mostra que as maiores valorizações não vieram das capitais tradicionais, e sim de cidades médias do interior. No trimestre encerrado em agosto, cinco municípios registraram alta de até 12% no preço médio do metro quadrado, mais que o dobro da média nacional.
No topo da lista está Balneário Camboriú (SC), com impressionantes 12,3% de valorização no período. A cidade litorânea já era conhecida pelo metro quadrado caro, mas a demanda por imóveis de alto padrão com vista para o mar segue firme. Em seguida, aparecem cidades como Indaiatuba (SP), com 11,8%, e São José dos Pinhais (PR), com 10,9%. O que chama atenção é que essas cidades têm em comum um forte polo industrial ou logístico, além de qualidade de vida elevada.
O economista-chefe da Abrainc, Marcos Tavares, explica ao Perspectiva Imobiliária que o movimento reflete uma migração de investidores em busca de rendimento e menor risco. "Com a Selic estabilizada em 11,75% ao ano após a última reunião do Copom, o financiamento imobiliário continua atrativo. Mas as grandes capitais já estão saturadas, com preços elevados e oferta limitada. Cidades que recebem novos empreendimentos e têm infraestrutura em expansão acabam oferecendo melhor relação entre preço e potencial de valorização."
Além das três primeiras, completam o ranking as cidades de Ribeirão Preto (SP), com 9,4%, e Caxias do Sul (RS), com 8,7%. Em todas elas, o preço médio do metro quadrado ainda fica abaixo dos R$ 7 mil, enquanto em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro os valores ultrapassam facilmente os R$ 10 mil. Isso abre margem para ganhos maiores, especialmente em imóveis de padrão médio popular, que são o carro-chefe dos lançamentos atuais, segundo dados da Secovi.
Para o investidor, a dica dos analistas é olhar além do preço. "Valorização passada não garante retorno futuro. Mas cidades com crescimento populacional acima da média, geração de emprego e projetos de mobilidade urbana têm fundamentos fortes para sustentar a alta", alerta Tavares. Ele recomenda acompanhar indicadores como estoque de imóveis à venda e velocidade de venda, que estão disponíveis no relatório mensal da Abrainc. No caso das cinco cidades do ranking, todas apresentam estoque baixo e prazo médio de venda inferior a seis meses.
Outro ponto que chama a atenção é o comportamento dos preços em cidades que recebem grandes obras de infraestrutura, como a nova fábrica da Toyota em Indaiatuba, que deve ser inaugurada no próximo ano. "O anúncio de novos empreendimentos já impacta o preço do solo. Quem comprou há um ano, pagou em média R$ 6,2 mil o metro quadrado; hoje, o mesmo imóvel é negociado a R$ 7,8 mil", explica um corretor local ouvido pela reportagem. Projeções de especialistas indicam que essas cidades podem manter valorização de dois dígitos até o fim de 2027.
Diante desse cenário, a orientação é diversificar. "Se você tem recursos, vale considerar alocar uma parte em cidades com potencial de desenvolvimento, mas sem esquecer da liquidez — em cidades menores, o tempo para vender pode ser maior", pondera o analista da consultoria Brain. A boa notícia: com a digitalização dos processos de financiamento e a expansão dos fundos imobiliários, investir em outras praças ficou mais simples, mesmo à distância. Fique de olho no próximo relatório do FipeZap, que deve sair em setembro, para confirmar se o movimento ganha força ou se é apenas um fogo de palha.


