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Selic sobe a 14,75% e trava novas contratações de crédito imobiliário nesta semana

O Copom elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual na última quarta-feira, 15 de julho, e o mercado de financiamento já sente o baque: bancos reajustam taxas e reduzem prazos para novos contratos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic sobe a 14,75% e trava novas contratações de crédito imobiliário nesta semana

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic para 14,75% ao ano, anunciada na quarta-feira (15/7/2026), já provoca efeitos imediatos no mercado de financiamento imobiliário. Esta é a terceira alta consecutiva no trimestre, acumulando 1,5 ponto percentual desde maio. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira, os bancos começaram a recalcular as taxas dos contratos de crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE), que subiram em média 0,8 ponto percentual nos últimos dois dias, passando de 12,3% para 13,1% ao ano para pessoas físicas.

O impacto já aparece nos balanços das incorporadoras listadas na B3. A Cyrela, maior do setor, informou ontem que as vendas líquidas de unidades na primeira quinzena de julho caíram 18% em relação ao mesmo período de junho. A Secovi-SP, em nota divulgada nesta quinta-feira (16/7), apontou que o número de contratos de financiamento habitacional na capital paulista recuou 12% na última semana, para 1.450 operações, menor nível desde fevereiro. "A alta da Selic encareceu o crédito e muitos compradores estão postergando a decisão", afirma o economista-chefe da Abrainc, Rafael Cury.

O cenário de juros elevados também afeta os fundos imobiliários (FIIs). Os papéis de recebíveis imobiliários (CRI) listados na B3, que acompanham a taxa básica, tiveram queda média de 1,5% no pregão de quinta-feira, com destaque para os fundos de papel, como o HGRU11 e o KNCR11, que cederam 2,3% e 1,9%, respectivamente. Na visão do analista de renda fixa da XP Investimentos, a perspectiva para o segundo semestre é de spread mais apertado. "Com a Selic em alta, a curva de juros futuros se inclina e a demanda por CRIs indexados ao IPCA cai, pressionando os preços."

Para quem já tem financiamento em andamento, a notícia não é tão ruim. Os contratos com taxas prefixadas ou atreladas à TR (Taxa Referencial) não sofrem reajuste imediato, mas para novos contratos, as condições pioraram. A Caixa Econômica Federal, maior agente de crédito imobiliário do país, anunciou na quinta-feira que elevou a taxa mínima de 11,5% para 12,9% ao ano para novos financiamentos pelo SFH. "A tendência é de retração nas vendas nos próximos meses, especialmente no segmento de médio e alto padrão, mais sensível aos juros", avalia a diretora de pesquisa da FipeZap, Maria Alice Ribeiro.

O mercado aguarda a reunião do Copom de setembro, mas analistas consultados pelo Boletim Focus de hoje (18/7) já projetam nova alta de 0,5 ponto percentual, levando a Selic a 15,25% ao ano. Caso se confirme, o crédito imobiliário tende a encolher ainda mais, com possibilidade de redução de prazos máximos de 35 para 30 anos nos bancos privados. "O investidor que está pensando em comprar imóvel deve agir rápido, antes que as taxas subam mais", aconselha o presidente do Secovi-SP, Rodrigo Luna, em entrevista ao portal.

Em resumo: a semana foi de reajustes e cautela. Para quem depende de financiamento, o momento exige planejamento e comparação de ofertas. Já para investidores de FIIs, a dica é focar em fundos de tijolo, menos expostos à alta de juros. O mercado imobiliário entra em compasso de espera até o próximo Copom, em setembro.

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