O segredo do Congresso para o Minha Casa Minha Vida em 2026: renda mínima de R$ 12 mil?
Nesta semana, o Congresso Nacional aprovou novas faixas de renda para o programa habitacional, com mudanças que podem beneficiar até a classe média. Entenda os detalhes da decisão que pegou o mercado de surpresa.

Nesta semana, o Congresso Nacional aprovou, em sessão conjunta, a revisão das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida, uma das principais políticas habitacionais do país. A decisão, tomada na última terça-feira, 14 de julho, amplia o limite de renda familiar para a Faixa 1 de R$ 2.640 para R$ 3.200, e para a Faixa 3, destinada às famílias de maior poder aquisitivo, de R$ 8.000 para R$ 12.000. A medida, que entra em vigor em agosto, foi aprovada com 342 votos favoráveis na Câmara e 52 no Senado, após intensos debates sobre o impacto fiscal.
A justificativa do relator, deputado João Pedro (PSDB-SP), foi a necessidade de adequar o programa à inflação acumulada desde 2023, que chegou a 12,4% no acumulado de 36 meses, segundo o IPCA. "As faixas antigas excluíam famílias que, com o aumento dos preços dos imóveis, não conseguiam mais se enquadrar", afirmou. Dados da Abrainc indicam que o déficit habitacional brasileiro em 2026 é de 6,8 milhões de moradias, com 40% concentrado em famílias com renda entre 3 e 6 salários mínimos, exatamente o público que será mais beneficiado com a ampliação.
O mercado imobiliário reagiu de imediato. A construtora MRV anunciou que pretende lançar 15 mil unidades até o fim de 2026 voltadas para a nova Faixa 3, em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Recife. "É um novo horizonte para o setor", disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em nota. Já o Secovi-SP estima que as vendas de imóveis populares podem crescer 18% no segundo semestre, impulsionadas pelo aumento do teto de renda.
Especialistas apontam, porém, riscos fiscais. O Ministério do Planejamento calcula que a mudança pode elevar os subsídios em R$ 4,2 bilhões ao ano, exigindo cortes em outras áreas. "O programa já consome 0,6% do PIB em renúncias fiscais e subsídios diretos. Com a ampliação, o custo pode chegar a 0,8%", alerta a economista Marina Silva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O governo, por sua vez, afirma que o impacto será compensado pelo aumento da arrecadação com o aquecimento da construção civil.
Para o investidor imobiliário, a decisão representa uma oportunidade clara: entrar em fundos imobiliários (FIIs) focados em habitação popular, como o HGLG11 e o HGCR11, que devem se beneficiar do aumento da demanda. "Os FIIs de papel lastreados em CRIs do MCMV tendem a ter ganhos de valuation", explica analista da XP Investimentos. No trimestre atual, esses fundos já acumulam alta de 5,2%, contra 2,8% do IFIX.
A nova faixa de renda, no entanto, não é unanimidade. Críticos apontam que o programa ainda não resolveu o gargalo da oferta de terrenos em áreas urbanas consolidadas. "Sem reforma do zoneamento, o aumento do teto só vai inflar os preços dos imóveis", argumenta urbanista da USP. Ainda assim, a aprovação da medida é vista como um avanço político em ano eleitoral, com potencial para destravar investimentos e gerar empregos.
Em resumo, a decisão do Congresso em julho de 2026 amplia o alcance do Minha Casa Minha Vida para a classe média, mas impõe desafios fiscais e urbanísticos. Para quem acompanha o setor, é hora de ficar de olho nos próximos editais e nas estratégias das incorporadoras.


