Selic em 14,75%: o que o Copom fez com o financiamento imobiliário esta semana
Com a Selic mantida em 14,75% e crédito mais caro, a parcela de um imóvel de R$ 500 mil subiu até R$ 350. Veja os números e as alternativas.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na última quarta-feira, de manter a taxa Selic em 14,75% ao ano, já tem efeitos práticos para quem está de olho na casa própria. Com a manutenção dos juros no patamar mais alto desde 2016, os bancos ajustaram as taxas do crédito imobiliário, elevando a parcela média de novos contratos. Segundo a Abrainc, a taxa média do financiamento para pessoa física subiu 0,3 ponto percentual nesta semana, chegando a 11,2% ao ano.
Na prática, para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela inicial saltou de R$ 4.250 para R$ 4.600, uma diferença de R$ 350 por mês — ou R$ 126 mil a mais ao longo de todo o contrato, considerando juros compostos. O impacto é ainda maior para quem opta por prazos mais longos, como 35 anos, modalidade que responde por 60% dos novos financiamentos, de acordo com dados do Banco Central.
O mercado já começa a reagir. Dados do FipeZap desta semana mostram que a venda de imóveis novos nos grandes centros caiu 8% na comparação com julho, enquanto os lançamentos recuaram 5%. A Secovi-SP, que acompanha o mercado paulistano, registrou alta de 12% no número de distratos — contratos desfeitos por falta de pagamento ou desistência —, sinal de que o orçamento das famílias está mais apertado.
Apesar disso, especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o cenário não é de colapso, mas de seleção. Incorporadoras estão oferecendo condições especiais, como subsídios e taxas fixas por períodos menores, para manter o fluxo de vendas. Além disso, o programa habitacional do governo, que usa recursos do FGTS, segue com taxas de 8,5% a 10,5% para famílias de baixa renda, um alívio em meio ao aperto geral.
Para quem vai financiar, a orientação é clara: comparar as condições de diferentes bancos, considerar o uso de recursos do FGTS e, se possível, dar uma entrada maior para reduzir o valor financiado e o peso dos juros. Com a Selic prevista para cair apenas no último trimestre deste ano, segundo o boletim Focus, o momento exige planejamento e olhar atento às oportunidades que surgirem.
A boa notícia é que, para quem tem capital, a alta dos juros também abre espaço para negociações mais vantajosas em imóveis prontos, com descontos que chegam a 15% em alguns empreendimentos. O mercado imobiliário segue vivo, mas mais seletivo — e entender os números é o primeiro passo para não pagar a conta do aperto monetário.


