Política

Selic a 15,75% derruba crédito imobiliário: financiamento cai 12% no trimestre

Novo aperto do Copom eleva parcela de imóvel de R$ 500 mil em R$ 480. Entenda como o BC trava o setor e o que fazer para não perder o negócio.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 15,75% derruba crédito imobiliário: financiamento cai 12% no trimestre

O Banco Central decidiu, no último Copom, elevar a Selic para 15,75% ao ano, o maior patamar desde 2016. A decisão, anunciada no início de agosto, já produziu efeitos imediatos no mercado imobiliário: segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana, o volume de financiamentos imobiliários caiu 12% no trimestre encerrado em julho, comparado ao trimestre anterior, atingindo R$ 38 bilhões. É o segundo trimestre seguido de queda, evidenciando o impacto direto da política monetária sobre o setor.

O custo do crédito imobiliário, que utiliza a Taxa Referencial (TR) ou o IPCA como indexadores, subiu proporcionalmente. Simulações do Banco Central mostram que, para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos pela Caixa, a parcela mensal subiu de R$ 2.340 para R$ 2.820 após a alta da Selic — um aumento de R$ 480, exatamente o que o título desta matéria revela. Esse número reflete a nova realidade de juros, que já superam 11% ao ano para o mutuário final, segundo a Fipezap.

A decisão do Copom, que foi unânime, tem como pano de fundo a inflação corrente. O IPCA de julho, divulgado pelo IBGE, veio em 0,72%, acumulando 7,8% em 12 meses, bem acima do teto da meta do CMN, que é de 6,5% para 2026. O comunicado do Copom, divulgado na quarta-feira, sinaliza que a Selic pode subir mais 0,25 ponto percentual na próxima reunião, em setembro, o que agravaria ainda mais o custo do crédito.

Para o setor imobiliário, o cenário é de contração. A Secovi-SP, que representa as imobiliárias paulistas, já registra queda de 18% nas vendas de imóveis usados em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O presidente da Abrainc, em entrevista ao jornal Valor, afirmou que “o crédito imobiliário é o motor do setor, e, com juros nesse nível, o motor está engasgado”. Ele também criticou a política de compulsórios, que obriga os bancos a reterem mais recursos, reduzindo a oferta de funding para o crédito imobiliário.

Enquanto isso, o Congresso discute, nesta semana, um projeto de lei que propõe desonerar a folha de pagamento da construção civil, mas a medida pode não ser suficiente para compensar o efeito dos juros. Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam que compradores em potencial negociem com os bancos a utilização de recursos do FGTS, que ainda oferecem taxas menores, ou que aguardem uma possível inflexão da política monetária no próximo ano, quando o BC deve iniciar um ciclo de cortes.

A Caixa Econômica Federal, principal agente do crédito imobiliário, anunciou que vai reduzir a oferta de crédito com recursos da poupança em 10% para os próximos meses, priorizando o Programa Casa Verde e Amarela. Isso deve apertar ainda mais o acesso ao financiamento para a classe média. O presidente do banco, em evento em Brasília, afirmou que a decisão foi tomada para evitar estouro do teto de juros do programa.

Diante desse cenário, a orientação de analistas do mercado é clara: quem já tem aprovação de crédito deve acelerar a compra, pois os juros devem subir ainda mais. E quem está esperando, deve reavaliar os planos, considerando que o mercado imobiliário tende a desaquecer nos próximos meses, com possível queda de preços imobiliários, especialmente nos grandes centros, o que pode ser uma oportunidade para compradores com capital próprio.

#Selic#Crédito Imobiliário#Copom
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