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Selic a 14,75%: quanto subiu a parcela do seu financiamento esta semana

O Copom manteve os juros no último encontro, mas o impacto no crédito imobiliário só agora apareceu. Veja o índice que mede o custo real para quem vai financiar.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 14,75%: quanto subiu a parcela do seu financiamento esta semana

A decisão do Copom na última quarta-feira, dia 5 de agosto, de manter a Selic em 14,75% ao ano foi amplamente esperada pelo mercado. Mas o efeito prático no bolso de quem pretende financiar um imóvel só começou a ser sentido agora, com a atualização das taxas de referência dos principais bancos. Segundo dados da Abrainc divulgados nesta sexta-feira, o custo médio do financiamento imobiliário com recursos das cadernetas de poupança subiu 0,3 ponto percentual em relação a julho, chegando a 12,4% ao ano no início de agosto.

Para entender o impacto real, basta fazer a conta: em um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pela Tabela Price, a parcela inicial passou de R$ 5.210 para R$ 5.340. Ou seja, o comprador que assinou o contrato nesta semana vai desembolsar cerca de R$ 130 a mais por mês, totalizando R$ 46.800 adicionais ao longo de todo o financiamento. O número assusta, mas especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária afirmam que o repasse ainda é parcial, já que os bancos estão reduzindo spreads para ganhar volume.

A alta da Selic no primeiro semestre — que saiu de 13,5% para 14,75% em quatro reuniões — já havia sido incorporada às taxas do crédito imobiliário, mas a manutenção desta semana tem um efeito secundário: a inflação do custo de construção, que subiu 0,8% em julho, segundo o INCC, deve manter a pressão sobre os preços dos imóveis novos. No trimestre atual, o FipeZap aponta que o preço médio do metro quadrado em São Paulo avançou 2,1%, chegando a R$ 11.342, o que indica que a alta dos juros ainda não esfriou o mercado como o Banco Central gostaria.

O cenário de juros altos, no entanto, tem um efeito colateral importante: o saque do FGTS para pagamento de parte do imóvel se tornou ainda mais estratégico. Com a taxa de juros do financiamento via FGTS limitada a 8,25% ao ano, quem consegue usar o fundo para reduzir o valor financiado pode economizar mais de R$ 150 mil em juros totais, segundo simulações da Caixa Econômica Federal. Por outro lado, o próprio FGTS está sob pressão: a arrecadação líquida caiu 12% no primeiro semestre, e o governo estuda ajustes na alocação dos recursos, o que pode afetar a oferta de crédito para a baixa renda nos próximos meses.

Para quem está pensando em comprar, a recomendação dos analistas é clara: se você tem recursos próprios ou pode esperar, a tendência é de que a Selic comece a cair no último trimestre de 2026, com projeção de 12,5% para o fim do ano. Isso deve aliviar as parcelas em cerca de 4% a 5% já no início de 2027. Mas, se o imóvel é uma necessidade imediata, a dica é negociar a taxa com o banco e usar o FGTS como alavanca. Nesta semana, os bancos estão oferecendo prazos maiores e carências para fechar negócio, mas essa janela pode fechar se a inadimplência subir. Fique de olho nos comunicados da B3 sobre os títulos imobiliários, que são o termômetro para o custo futuro do crédito.

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