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Selic a 14,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

Com o Copom mantendo os juros no maior patamar desde 2016, a Caixa reajustou as taxas do SBPE. Veja o impacto real no bolso de quem financiou um imóvel de R$ 500 mil.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 14,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última quarta-feira (6), manter a taxa Selic em 14,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que vinha desde o fim de 2025. A decisão, já esperada pelo mercado, não impediu que os bancos ajustassem suas tabelas: nesta semana, a Caixa Econômica Federal e o Itaú Unibanco elevaram em até 0,8 ponto percentual as taxas de juros do financiamento imobiliário com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). Para quem está negociando um imóvel agora, o impacto é imediato: em um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, a parcela inicial subiu de R$ 4.210 para R$ 4.380, uma diferença de R$ 170 por mês, ou R$ 61,2 mil ao longo do contrato, segundo simulações feitas com base nas novas tabelas divulgadas pelos bancos.

O movimento de alta nas taxas acontece em meio à disparada dos preços dos imóveis, que acumulam valorização de 18,6% nos últimos 12 meses, segundo o índice FipeZap de julho — a maior alta anual desde 2012. O economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Marco Tavares, explica que a combinação de juros altos e inflação pressionada (IPCA de 5,2% no acumulado de 12 meses até julho) reduz o poder de compra das famílias e deve esfriar o ritmo de vendas no segundo semestre. "Quem pode esperar, está esperando. Mas quem precisa morar, acaba aceitando parcelas mais pesadas", afirma Tavares, em nota enviada à imprensa nesta terça-feira (11).

Os dados do Banco Central mostram que a concessão de crédito imobiliário com recursos do SBPE somou R$ 6,8 bilhões em julho, uma queda de 9,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No trimestre encerrado em julho, o recuo é de 5,1%. Já com recursos do FGTS, usados pelo programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de renda média, a demanda segue aquecida: foram R$ 4,3 bilhões em financiamentos no mês passado, alta de 7,8% na comparação anual. Essa divisão revela um mercado de duas velocidades: o segmento de médio e alto padrão, mais sensível aos juros, desacelera, enquanto o programa social mantém o ritmo, amparado por taxas subsidiadas em torno de 8,5% ao ano.

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Para quem está pensando em comprar um imóvel neste momento, a orientação dos especialistas é clara: vale comparar as condições oferecidas por diferentes bancos, pois a variação de taxas entre as instituições chega a 1,2 ponto percentual, o que pode representar uma economia de R$ 230 na parcela mensal do mesmo imóvel. Além disso, a Caixa e o Banco do Brasil anunciaram, ao longo dos últimos dias, linhas com financiamento de até 90% do valor do imóvel para imóveis novos, com teto de R$ 1,2 milhão — uma tentativa de destravar os estoques das construtoras, que subiram 12% no primeiro semestre, segundo dados da Secovi-SP.

A expectativa do mercado é de que o Copom volte a cortar a Selic apenas na reunião de novembro, caso a inflação mostre sinais de convergência para a meta de 3%. Até lá, quem consegue aguardar pode se beneficiar de taxas ligeiramente menores. Porém, com os preços dos imóveis subindo quase 19% ao ano, a espera pode custar caro: um apartamento de R$ 500 mil hoje pode valer R$ 595 mil no fim do ano, o que anularia qualquer ganho com a queda dos juros. A decisão, portanto, envolve um cálculo fino entre a parcela atual e a valorização futura.

Em resumo, a manutenção da Selic em 14,75% e o consequente aumento das taxas do SBPE reforçam a importância de negociar com afinco e de avaliar alternativas como o uso do FGTS para amortizar o saldo devedor. O mercado imobiliário brasileiro segue aquecido, mas o crédito está mais caro — e a conta, inevitavelmente, chega ao bolso do comprador.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom
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