Selic a 14,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana
O Copom manteve a taxa básica em 14,75% na quarta-feira, mas os juros dos financiamentos de imóveis já subiram 0,8 ponto. Veja o impacto médio nas parcelas e as alternativas para quem vai comprar agora.

O Copom manteve a Selic em 14,75% ao ano na reunião de quarta-feira, mas o efeito sobre o financiamento imobiliário já chegou aos contratos nesta semana. Segundo dados da Abrainc divulgados hoje, a taxa média de juros para pessoa física em bancos privados subiu de 12,3% para 13,1% em apenas cinco dias úteis, refletindo o prêmio de risco exigido pelo mercado.
Na prática, quem financiou R$ 500 mil em 30 anos pela Tabela Price viu a parcela inicial saltar de R$ 5.230 para R$ 5.610, um acréscimo de R$ 380 por mês. No acumulado do contrato, são cerca de R$ 136 mil a mais pagos ao banco. O levantamento considera contratos com entrada de 20% e prazo padrão, e foi feito pela consultoria Focus com base nas taxas praticadas entre segunda e sexta-feira.
A alta ocorre porque, mesmo com a Selic estável, os bancos reajustaram seus spreads após a comunicação do Copom, que sinalizou possíveis cortes apenas no último trimestre. O Boletim Focus desta sexta-feira indica que a expectativa mediana para a Selic no fim de 2026 caiu para 13,50%, mas a curva de juros futuros ainda embute prêmio elevado para contratos longos, exatamente o caso do crédito imobiliário.
Para o comprador de imóveis na planta, a alternativa que ganhou força foi o financiamento direto com a construtora, que em muitos casos oferece taxas prefixadas de até 10,9% ao ano, sem variação pós-fixada. Já os interessados em imóveis prontos podem recorrer ao FGTS, cuja taxa média segue em 8,66% para faixas de até R$ 1,5 milhão, desde que atendam aos critérios de renda e tempo de contribuição.
A Secovi-SP afirma que a procura por financiamento caiu 12% na última semana, e que parte dos compradores está adiando a decisão. No entanto, o mercado de alto padrão segue aquecido, com lançamentos em bairros como Vila Nova Conceição e Faria Lima, onde o metro quadrado já passa de R$ 25 mil.
Para quem já tem contrato assinado com taxa pós-fixada, a recomendação de especialistas é buscar a portabilidade para uma taxa prefixada ainda neste trimestre, antes que os bancos repassem integralmente o novo custo de captação. Segundo a Associação Brasileira de Crédito Imobiliário, a portabilidade registrou alta de 18% em julho, indicando que muitos mutuários estão antecipando essa migração.
A dica final: simule cenários com juros de 12% e de 14% antes de assinar. A diferença de R$ 200 na parcela pode representar mais de R$ 70 mil no total do financiamento, valor que pode ser usado para amortizar o saldo devedor ou investir. O momento pede planejamento e comparação entre bancos, pois a variação de taxas entre instituições chega a 1,5 ponto percentual nos mesmos prazos.

