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Selic a 14,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu em 2026

Com Copom mantendo juros altos, financiamento de R$ 500 mil ficou R$ 1.100 mais caro em 12 meses; veja alternativas para reduzir o impacto.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 14,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu em 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última quarta-feira (19), manter a Selic em 14,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que o mercado esperava para o segundo semestre. A decisão, amplamente antecipada por analistas, veio acompanhada de um comunicado mais duro, citando a desancoragem das expectativas de inflação e o câmbio pressionado. Para quem comprou imóvel com financiamento imobiliário em 2025, o impacto é direto: a parcela mensal média subiu cerca de 9% em 12 meses, segundo simulações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Um financiamento de R$ 500 mil, com prazo de 30 anos e taxa média de 11,5% ao ano — a praticada pelos bancos privados em agosto —, tem parcela inicial de R$ 4.830, contra R$ 4.360 em agosto de 2025, quando a Selic estava em 13,75%. Ou seja, o comprador de hoje desembolsa R$ 470 a mais por mês, e o custo total do financiamento salta de R$ 1,7 milhão para R$ 1,9 milhão. Nas linhas com recursos da poupança, que usam a TR como referência, a taxa ainda está em 10,99% a.a., mas o spread bancário subiu 0,3 ponto percentual desde junho, segundo o Banco Central.

A alta da Selic também derrubou o número de lançamentos. Segundo a Abrainc, as vendas de imóveis novos caíram 7,4% no segundo trimestre de 2026 na comparação anual, e o estoque de unidades prontas cresceu 12% nas capitais acompanhadas pela entidade. No mercado de usados, a FipeZap registrou variação negativa de 0,1% nos preços em julho, a primeira desde maio de 2025. A correção é moderada, mas indica que o vendedor perdeu poder de barganha: o prazo médio para vender um imóvel em São Paulo subiu de 8 para 11 meses, segundo o Secovi-SP.

Profissionais do setor veem oportunidade para quem tem recursos próprios. Com o juro alto, os bancos estão mais seletivos — a aprovação de crédito caiu 5,8% em volume no primeiro semestre, conforme dados da B3 — e o comprador à vista consegue descontos de até 10% em imóveis prontos. Além disso, o investidor que compra para alugar se beneficia do aluguel em alta: o Índice de Aluguel Residencial da FipeZap subiu 11,2% em 12 meses, acima da inflação projetada de 4,8% para 2026.

Para quem precisa financiar, a saída é negociar com o banco e usar o FGTS. A Caixa Econômica Federal, que responde por 67% do crédito imobiliário do país, oferece taxa de 10,49% a.a. para imóveis de até R$ 1,5 milhão no programa Casa Verde e Amarela, desde que o mutuário tenha renda familiar de até R$ 8 mil. Mas atenção: o prazo para usar o FGTS em imóveis usados tem novas regras em análise no Congresso, e o projeto pode reduzir o teto de avaliação de R$ 350 mil para R$ 260 mil. A votação está prevista para setembro, e quem estiver em negociação deve antecipar a documentação.

O cenário deve continuar desafiador até o fim do ano. A pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (17) projeta a Selic em 14,50% em dezembro, com inflação de 4,9% — acima do teto da meta. O Copom sinalizou que só volta a cortar juros quando o câmbio se estabilizar e as expectativas de inflação recuarem, o que pode não acontecer antes do primeiro trimestre de 2027. Enquanto isso, a dica dos especialistas é: quem tem pressa para comprar, foque em imóveis com potencial de valorização em regiões em expansão, como os eixos de transporte; quem não tem pressa, espere a poeira baixar e acompanhe as reuniões do Copom de setembro e novembro.

O mercado imobiliário de 2026 está sendo definido agora, entre a Selic alta e a demanda reprimida. As construtoras já começam a oferecer incentivos como desconto na entrada e parcelamento direto, sinais de que o preço pode ceder um pouco mais nos próximos meses. Fique de olho: a janela de negociação nunca esteve tão aberta para quem tem liquidez.

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