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Selic a 14,75% derruba financiamento imobiliário: 3 estratégias para não pagar caro

Com a taxa básica em 14,75% ao ano, a parcela média do financiamento subiu 18% desde janeiro. Veja como aproveitar as janelas de crédito e as mudanças no FGTS antes que o cenário aperte ainda mais.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 14,75% derruba financiamento imobiliário: 3 estratégias para não pagar caro

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta semana manter a Selic em 14,75% ao ano, interrompendo o ciclo de alta que já durava seis reuniões. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, não trouxe alívio para quem depende do crédito imobiliário: nos últimos 30 dias, os bancos públicos e privados já reprecificaram suas linhas de financiamento, elevando em até 1,2 ponto percentual as taxas médias da modalidade, segundo dados da Abrainc divulgados na última quarta-feira.

O impacto é direto no bolso do comprador. Para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela inicial saltou de R$ 3.450 para R$ 3.920 na virada do mês, considerando a taxa média de 11,9% ao ano praticada pelos bancões — um aumento de 13,6% em relação a maio. Essa elevação vem na esteira da alta da Selic, que desde fevereiro acumula 2 pontos percentuais, e da piora nas expectativas de inflação, que levaram o Banco Central a interromper os cortes que haviam sido projetados para o segundo semestre.

A pesquisa FipeZap desta semana confirma o movimento: o preço médio do metro quadrado nas 50 cidades monitoradas subiu 1,4% em julho, puxado por São Paulo e Rio de Janeiro. Ou seja, enquanto o custo do crédito aumenta, o valor dos imóveis continua em alta — uma combinação que espreme a renda das famílias e reduz o poder de compra em cerca de 9% no trimestre, calcula a Secovi-SP.

Diante desse cenário, especialistas apontam três frentes para quem não quer abandonar o plano de comprar um imóvel. A primeira é o uso do FGTS: a nova regra, aprovada no Congresso em julho e em vigor desde o dia 1º de agosto, permite usar até 30% do saldo para reduzir as parcelas dos primeiros 24 meses, além de um bônus de até R$ 15 mil para famílias com renda de até R$ 4,4 mil. Isso pode derrubar a prestação inicial em até 18%, segundo simulações da Caixa Econômica Federal.

A segunda estratégia é migrar para as linhas com recursos da poupança (SBPE), que ainda operam com taxas um pouco menores, ou buscar portabilidade: a competição entre bancos digitais e cooperativas fez com que cerca de 20% das contratações de julho incluíssem alguma renegociação, aponta a B3. Por fim, vale acompanhar o leilão de imóveis da Caixa e os empreendimentos com condições especiais das incorporadoras — a maioria das grandes construtoras, como MRV e Cyrela, lançou no mês passado campanhas com subsídio direto de até R$ 30 mil para quitar parte do valor de entrada.

A próxima reunião do Copom está marcada para 16 de setembro, e os economistas consultados pelo boletim Focus preveem uma manutenção da taxa atual até o fim do ano, com possibilidade de leve alta em dezembro. Isso significa que quem conseguir contratar um financiamento ainda em agosto, aproveitando as taxas atuais e os novos incentivos, pode se blindar contra um aperto ainda maior no crédito. Mas atenção: a janela é curta e os bancos já sinalizam que vão reduzir a oferta de linhas com taxas prefixadas — o que reforça a importância de simular, comparar e decidir com base em números concretos, e não em promessas do mercado.

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