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Selic a 14%: quanto sua parcela imobiliária sobe nesta semana

Com o Copom mantendo os juros em 14% ao ano, bancos já reprecificam financiamentos. Veja o impacto médio de R$ 312 na parcela de quem financia R$ 500 mil.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 14%: quanto sua parcela imobiliária sobe nesta semana

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciada na última quarta-feira, 26 de agosto, manteve a Selic em 14% ao ano pela segunda reunião consecutiva. O mercado, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual, foi surpreendido pela postura cautelosa do Banco Central, que citou a desancoragem das expectativas de inflação para 2027 e o risco fiscal.

O impacto no financiamento imobiliário foi imediato: segundo a Abrainc, os bancos públicos e privados já começaram a reprecificar as taxas de juros dos contratos da carteira imobiliária. Na Caixa, o maior agente do setor, a taxa mínima subiu de 10,49% para 10,99% ao ano + TR para novos contratos a partir desta segunda-feira, 31. O Bradesco e o Itaú seguiram o movimento, com aumentos de 0,3 a 0,5 ponto percentual nas linhas com recursos da poupança.

Para quem está financiando R$ 500 mil em 30 anos, a alta de 0,5 p.p. representa um acréscimo de R$ 312 na parcela mensal, considerando o Sistema de Amortização Constante (SAC). No total, o comprador pagará cerca de R$ 112 mil a mais ao longo do contrato, segundo simulações feitas com base nas novas taxas.

O mercado secundário também reflete a pressão. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com indexação ao IPCA+ estão sendo negociados com prêmios 20 pontos-base maiores, enquanto os fundos imobiliários de papel, que investem nesses títulos, viram queda média de 1,8% na semana, conforme dados da B3. Já os fundos de tijolo, que dependem do financiamento para novos empreendimentos, mostram resiliência, mas com alerta nos custos de obra.

Apesar do cenário adverso, o mercado de imóveis prontos continua aquecido em algumas regiões. Dados do Secovi-SP mostram que as vendas de imóveis usados na capital paulista cresceram 6,2% no trimestre atual, puxadas por quem já tinha aprovação de crédito e corre para assinar o contrato antes que as condições mudem de novo. Em contrapartida, os lançamentos caíram 12% no mesmo período, reflexo do custo do crédito ao produtor.

A expectativa agora é para a próxima reunião do Copom, em outubro. A maioria dos analistas consultados pela Anbima projeta um corte de 0,25 p.p., mas o risco é de novo adiamento, caso o governo não entregue o arcabouço fiscal prometido. Para o comprador de imóvel, a recomendação é: se você tem crédito aprovado, não espere a taxa cair; negocie com o banco e trave a taxa o quanto antes, pois a tendência de curto prazo é de juros altos por mais tempo.

Enquanto isso, o financiamento via FGTS continua sendo a alternativa mais barata, com taxas a partir de 8,66% ao ano, mas o orçamento do fundo para 2026 está quase esgotado. Conforme levantamento do Banco Central, dos R$ 120 bilhões previstos, 85% já foram comprometidos até julho. Quem pretende usar o FGTS precisa agilizar o processo para não ficar para o ano que vem.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom#taxas de juros#Caixa
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