Selic a 13,75% redefine juros do financiamento imobiliário nesta semana
Com a manutenção da Selic em 13,75% pelo Copom na última quarta-feira, os bancos ajustam as taxas do crédito imobiliário. A Caixa elevou o spread em 0,3 p.p. e o mercado já projeta impacto nas vendas do trimestre.

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano na reunião de 15 e 16 de julho, decisão amplamente esperada pelo mercado. O comunicado citou incertezas fiscais e pressões de serviços como fatores para a estabilidade. Para o financiamento imobiliário, o efeito foi imediato: nesta semana, a Caixa Econômica Federal anunciou aumento de 0,3 ponto percentual no spread para novas contratações na linha SBPE, elevando a taxa média para 10,99% ao ano + TR.
Os grandes bancos privados seguiram movimento similar. Itaú e Bradesco ajustaram suas taxas prefixadas, que agora variam entre 11,2% e 12,5% ao ano, dependendo do relacionamento e do valor de entrada. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (17), o custo médio do crédito imobiliário com recursos direcionados subiu para 10,8% a.a. em junho, ante 10,4% em maio. A alta reflete não apenas a Selic, mas também o aumento da inadimplência, que atingiu 2,3% na carteira imobiliária, maior nível desde 2017.
O mercado secundário de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) também sentiu o impacto. As taxas dos títulos indexados ao IPCA subiram para IPCA + 6,2% no vencimento de 5 anos, segundo a Anbima. Isso encarece a captação dos bancos, que repassam o custo ao tomador final. "Com a Selic parada e a inflação ainda acima do centro da meta, o crédito imobiliário não deve ficar mais barato no curto prazo", afirma Ricardo Barbosa, economista-chefe da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário (Abcrei).
Para quem planeja financiar um imóvel, a recomendação é simular diferentes cenários e considerar o uso do FGTS, que continua com taxas subsidiadas de 7,66% a.a. + TR na faixa do Minha Casa Minha Vida. Já para investidores, as LCIs seguem atrativas pelo benefício fiscal, mas com prêmios maiores. A Secovi-SP projeta que as vendas de imóveis novos no estado de São Paulo devem cair 5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, puxadas justamente pelo crédito mais caro.
Apesar do cenário, a demanda reprimida por moradia própria e a oferta limitada de imóveis em grandes centros seguram os preços. O índice FipeZap de maio (último dado disponível) mostrou alta de 0,8% nos preços de apartamentos prontos, enquanto os lançamentos se concentram em segmentos de alto padrão, menos dependentes de financiamento. O mercado aguarda agora a reunião de setembro do Copom, quando há expectativa de um primeiro corte de 0,25 p.p.


