Política

Selic a 13,75%: quanto o Copom de agosto encareceu seu financiamento imobiliário?

A alta de 0,5 ponto porcentual na taxa básica, anunciada nesta semana, pode adicionar R$ 480 à parcela de um imóvel de R$ 500 mil. Veja os cálculos e as alternativas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 13,75%: quanto o Copom de agosto encareceu seu financiamento imobiliário?

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 13,75% ao ano na reunião desta semana, interrompendo um ciclo de cortes que durou oito meses. Para quem está financiando um imóvel, a decisão tem efeito imediato: as parcelas de novos contratos ficam mais caras e quem tem contratos atrelados à taxa pode rever o orçamento. Em um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses, a alta de 0,5 ponto porcentual representa um acréscimo de cerca de R$ 480 na parcela inicial, segundo simulações da Abrainc divulgadas nesta quinta-feira (6).

O movimento do Banco Central surpreendeu parte do mercado, que esperava manutenção da taxa. A justificativa oficial foi a pressão inflacionária de curto prazo, puxada pelos alimentos e pela energia, e a desancoragem das expectativas para 2027. Para o setor imobiliário, o efeito é duplo: encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias. Dados da FipeZap mostram que o preço médio do metro quadrado nas 50 cidades monitoradas subiu 1,2% em julho, acumulando alta de 9,8% em 12 meses. Ou seja, o imóvel está mais caro e o dinheiro para comprá-lo, também.

Com a Selic mais alta, os bancos tendem a repassar a alta para as taxas do crédito imobiliário, que já estavam em média de 10,4% ao ano, segundo o Banco Central. A Caixa Econômica Federal, que lidera o mercado com cerca de 70% de participação, anunciou que reajustará as condições dos novos contratos a partir de 1º de setembro. Quem já assinou o contrato não é afetado, mas quem está em fase de aprovação precisa correr. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam que o mutuário bloqueie a taxa o quanto antes.

Para quem já tem financiamento atrelado à variação da Selic — modalidade menos comum, mas ainda presente em contratos antigos —, a alta representa aumento direto nas parcelas. Nesses casos, a recomendação é renegociar a dívida ou migrar para um contrato com taxa fixa, que ainda é vantajosa em comparação com a história recente. Há também a opção de utilizar o FGTS para amortizar o saldo devedor, o que reduz o impacto dos juros compostos ao longo do tempo.

Apesar do cenário adverso, o mercado imobiliário de alto padrão segue aquecido. Dados da Secovi-SP mostram que os lançamentos no segundo trimestre cresceram 12% em relação ao trimestre anterior, puxados por unidades de luxo, que são menos sensíveis ao crédito. Já o segmento de médio padrão, que depende mais do financiamento, deve sentir o impacto nos próximos meses. A Abrainc projeta uma queda de 8% nas vendas de imóveis financiados no segundo semestre, caso a Selic permaneça nesse patamar.

No Congresso, tramita um projeto que cria o Fundo de Estabilização do Crédito Imobiliário, que usaria recursos do FGTS para subsidiar juros quando a Selic passar de 12% ao ano. A proposta, que está em discussão na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, não tem data para votação, mas ganhou força com a alta da taxa. Se aprovada, poderá diminuir o impacto do custo do crédito no setor. Enquanto isso, o comprador precisa se planejar: simule o financiamento, avalie a entrada e pesquise condições. A alta de juros não inviabiliza o sonho da casa própria, mas exige mais planejamento financeiro.

Para quem está pensando em comprar agora, a dica é: negocie a taxa com mais de um banco, considere prazos mais longos (apesar de juros maiores) para reduzir a parcela, e fique de olho em leilões e imóveis na planta, que costumam ter condições especiais. E lembre-se: o Copom volta a se reunir em setembro, e as expectativas de inflação seguem incertas. A decisão de comprar ou esperar deve ser baseada no seu orçamento e nos seus planos de longo prazo.

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