Selic a 13,75%: como o Copom desta semana adiciona até R$ 890 à sua parcela
Com a alta de 0,5 p.p. anunciada na quarta-feira, financiamentos de imóveis de R$ 500 mil ficam até R$ 890 mais caros por mês. Veja o impacto real nos contratos e o que esperar do próximo ciclo.

A decisão do Copom desta quarta-feira, 19 de agosto, de elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, levando a taxa básica a 13,75% ao ano, já tem efeito imediato sobre os novos contratos de financiamento imobiliário. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil já anunciaram ajustes nas tabelas de juros para novas operações, com aumentos que variam de 0,3 a 0,6 ponto percentual, dependendo do perfil do cliente e do índice de referência (TR ou IPCA). Para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela inicial pode subir de R$ 3.450 para R$ 4.340 — um acréscimo de R$ 890 por mês, segundo simulações da Abrainc divulgadas nesta semana. O movimento interrompe a trajetória de queda da taxa básica, que vinha de dois cortes consecutivos no primeiro semestre, e pega o setor em um momento de recuperação: as vendas de imóveis novos cresceram 8,2% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, conforme dados da Abrainc. A elevação da Selic é uma resposta ao aumento da inflação de curto prazo, que acelerou para 4,8% em julho, pressionada pelos preços de alimentos e energia. Para o comprador, o efeito é duplo: além de juros mais altos nos novos financiamentos, a correção das parcelas de contratos atrelados à TR tende a acompanhar o movimento, ainda que com defasagem. "Quem está no banco para contratar agora precisa reavaliar o orçamento. Cada 0,5 ponto da Selic representa, em média, R$ 58 a mais por cada R$ 100 mil financiados em 30 anos", explica a economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Lígia Vasconcelos, em nota técnica enviada à imprensa nesta quinta-feira. Por outro lado, o cenário abre espaço para estratégias alternativas. Com a alta dos juros, os Fundos Imobiliários (FIIs) de papel, que investem em títulos indexados à Selic, tendem a se valorizar no curto prazo, enquanto os fundos de tijolo, atrelados à economia real, podem sofrer com o custo de crédito mais caro. O índice Ifix, da B3, fechou a semana com leve queda de 0,4%, refletindo essa recomposição de carteiras. Para quem está pensando em comprar, a recomendação é clara: se o financiamento for aprovado antes do próximo Copom, marcado para outubro, vale acelerar. O mercado já precifica uma nova alta de 0,25 ponto, o que tornaria o cenário ainda mais desafiador. Por outro lado, a poupança e os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação voltam a ser alternativas atrativas para quem prefere esperar. A decisão de comprar um imóvel, afinal, é sempre uma aposta no longo prazo — e a Selic de hoje não será a Selic de amanhã.


