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Selic a 12,5%: quanto sua parcela imobiliária subiu nesta semana

Com o Copom mantendo a taxa em 12,5% ao ano, bancos já reprecificam o crédito. Veja o impacto real no valor da parcela para quem financiou R$ 500 mil em 30 anos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 12,5%: quanto sua parcela imobiliária subiu nesta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última quarta-feira, manter a Selic em 12,5% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que havia levado a taxa de 13,75% para 12,5% no trimestre anterior. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, não trouxe surpresas, mas já começa a mexer com o bolso de quem está financiando um imóvel ou pensando em entrar no mercado.

Segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana, o volume de financiamento imobiliário com recursos da poupança caiu 11% em julho na comparação com junho, reflexo direto da incerteza sobre os juros. Com a Selic estacionada, os bancos estão reprecificando as taxas: a Caixa Econômica Federal, maior player do setor, já anunciou que os novos contratos de financiamento pela tabela SAC terão taxa média de 12,9% ao ano, ante 12,4% no início do trimestre.

Para entender o impacto na prática, simulei um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pela Tabela Price, com taxa de 12,5% ao ano. A parcela inicial ficaria em R$ 5.261, contra R$ 4.987 no cenário com taxa de 11,75%, que era a expectativa do mercado até o início de agosto. Ou seja, o comprador que não fechou o contrato antes do Copom pode pagar R$ 274 a mais por mês, o que representa R$ 3.288 por ano a mais de custo.

A alta das taxas também já reflete no mercado secundário. O Índice FipeZap de Variação de Preços de Imóveis Anunciados subiu 0,32% em julho, mas a velocidade de venda diminuiu: imóveis prontos estão demorando, em média, 4,2 meses para sair, contra 3,8 meses no trimestre passado, segundo a Secovi-SP. A correção é natural: com o crédito mais caro, o comprador ganha poder de barganha, e vendedores que precisam de liquidez já começam a aceitar descontos de 5% a 7% sobre o preço de anúncio.

Para o investidor que está aguardando o momento certo, o cenário atual pede cautela. A recomendação dos analistas do BTG Pactual, em relatório desta semana, é focar em imóveis com potencial de renda de aluguel, que tendem a se valorizar com a alta dos juros. Enquanto a Selic permanecer elevada, a tendência é que os preços fiquem estáveis ou caiam levemente nos grandes centros, abrindo oportunidade para quem negocia à vista ou com entrada maior.

A boa notícia é que o Banco Central já sinalizou que, se a inflação seguir controlada, pode haver um novo corte de 0,5 ponto percentual na reunião de outubro. As expectativas do mercado, captadas pelo boletim Focus desta segunda-feira, apontam para uma Selic de 11,75% no fim do ano. Se isso se confirmar, as taxas de financiamento devem cair na mesma proporção, e a parcela do exemplo anterior voltaria para a casa dos R$ 5 mil.

Enquanto isso, o conselho prático é: se você está prestes a comprar, vale a pena buscar propostas com bancos menores e cooperativas de crédito, que estão ofertando taxas até 0,8 ponto percentual abaixo da Caixa. E se você já tem um financiamento em andamento, fique atento à possibilidade de portabilidade — com a Selic estável, a competição entre bancos tende a gerar boas ofertas para quem tem bom histórico de pagamento.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom
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