Selic a 12%: quanto o Copom adicionou à sua parcela imobiliária
O Banco Central elevou a taxa básica em 0,5 p.p. no último Copom, pressionando o crédito imobiliário. Entenda o impacto direto no bolso e as projeções para o setor até dezembro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta semana, elevar a Selic para 12% ao ano, interrompendo um ciclo de cortes que vigorava desde o início do ano. A alta de 0,5 ponto percentual, a primeira desde outubro de 2025, foi justificada pela aceleração da inflação de serviços e pela desancoragem das expectativas para 2027. Para o mercado imobiliário, o movimento tem efeito imediato: as taxas de financiamento, que estavam em média 10,8% a.a. em julho, já subiram para 11,3% na primeira semana de agosto, segundo dados da Abrainc.
Na prática, quem contratou um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses com a taxa anterior pagaria parcelas de R$ 4.658. Com a nova taxa, a parcela salta para R$ 4.872 — um acréscimo de R$ 214 por mês, ou R$ 2.568 ao ano. O impacto é ainda maior para financiamentos de imóveis de maior valor, onde os bancos costumam repassar integralmente a variação da Selic. A Caixa Econômica Federal, maior agente do setor, já anunciou a revisão das taxas para novos contratos a partir de 1º de setembro.
O movimento do BC ocorre em um momento delicado para o setor, que vinha se recuperando da crise de 2023-2024. Segundo o Secovi-SP, as vendas de imóveis novos na capital paulista cresceram 12% no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pelo FGTS Futuro. No entanto, a alta dos juros pode frear esse ritmo: a FipeZap aponta que os preços de imóveis residenciais subiram 0,4% em julho, abaixo da inflação, indicando perda de fôlego.
Para o crédito imobiliário, o cenário é de aperto. Os bancos privados, como Itaú e Bradesco, já começaram a reduzir o prazo máximo de financiamento e a exigir entrada maior em operações de alto valor. Já as linhas com recursos da poupança, que respondem por cerca de 60% dos financiamentos, tendem a ficar mais caras à medida que a caderneta perde atratividade. A Anbima projeta que a captação líquida da poupança, que estava positiva em R$ 8,2 bilhões em junho, deve cair para R$ 2 bilhões até dezembro, reduzindo a oferta de crédito.
O economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), Marcelo Rocha, avalia que o impacto será mais forte no segmento de médio e alto padrão. "O programa habitacional popular tem subsídios que mitigam o efeito dos juros, mas o mercado de imóveis de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão é o mais sensível. Muitos compradores vão adiar a decisão", explicou. Ele projeta uma queda de 8% nas vendas do segmento no terceiro trimestre, comparado ao segundo.
Por outro lado, o Copom indicou que a alta pode ser seguida de manutenção, se a inflação mostrar sinais de arrefecimento. A ata da reunião, divulgada nesta quinta-feira, destaca que o comitê está "vigilante" e que novos ajustes dependerão da evolução das expectativas. Para quem planeja comprar imóvel, a recomendação é analisar contratos com taxas fixas ou atreladas ao IPCA, que podem oferecer previsibilidade. Segundo o Banco Central, a taxa média do crédito imobiliário com recursos livres já atingiu 11,8% a.a., a maior desde março de 2024.
O mercado já precifica uma Selic de 12,5% até o fim do ano, segundo contratos futuros da B3. Isso significa que o custo do crédito pode continuar subindo. Para incorporadoras, a saída tem sido lançar empreendimentos com mais unidades menores e incentivos como subsídios do programa Casa Verde e Amarela. Enquanto isso, o investidor pessoa física deve acompanhar os números de vendas e a confiança do consumidor, que caíram 2,3% em julho, conforme a FGV. O próximo Copom, em setembro, será decisivo para confirmar ou reverter a tendência — e o bolso do comprador agradece.


