Selic a 11,75% segura crédito imobiliário em julho, mas juros futuros caem
Com a Selic em 11,75% ao ano, a taxa média do financiamento imobiliário subiu para 13,4% em julho, segundo a Abrainc, mas a queda nos juros futuros já sinaliza alívio para o próximo trimestre.

A manutenção da Selic em 11,75% ao ano, decidida pelo Copom na última quarta-feira (15), manteve os financiamentos imobiliários pressionados nesta semana. Dados da Abrainc divulgados nesta quinta (16) mostram que a taxa média do crédito imobiliário com recursos da poupança atingiu 13,4% ao ano em julho, maior patamar desde abril de 2025. Com isso, o número de contratos de imóveis residenciais novos teve queda de 7,5% na primeira quinzena de julho na comparação com junho, segundo o indicador Secovi-SP.
Apesar do aperto, o mercado vê luz no fim do túnel. No mercado futuro, os contratos de DI para janeiro de 2027 caíram de 12,85% para 12,55% nos últimos dias, refletindo a percepção de que o ciclo de aperto monetário está próximo do fim. “O comunicado do Copom foi menos duro do que o esperado, e a ata, a ser divulgada na próxima terça (21), deve reforçar a possibilidade de uma primeira redução em setembro”, avalia Letícia Camargo, economista-chefe do Banco ABC.
Para quem busca financiamento, a janela atual ainda é desfavorável. O valor médio do imóvel financiado caiu para R$ 412 mil em junho (dados do Banco Central), reflexo da restrição de crédito. Incorporadoras como MRV e Cyrela têm oferecido subsídios próprios para fechar contratos, com descontos de até 5% para quem usa o SFH. A Tabela Price, mais comum nos contratos, exige renda mínima de R$ 9.200 para um apartamento de R$ 500 mil com 80% de LTV.
No segmento de alto padrão, o cenário é distinto. Com a Selic elevada, investidores têm migrado para imóveis de até R$ 1,5 milhão à vista, aproveitando descontos de 8% a 12% em lançamentos. A FipeZap registrou alta de 0,3% no preço dos imóveis residenciais em São Paulo em julho, ritmo bem inferior à inflação projetada de 5,2% para o ano.
A expectativa do mercado, captada pelo Focus de hoje (18), é de que a Selic encerre 2026 em 10,5%, com a primeira queda vindo em setembro. Se confirmada, a taxa de financiamento pode recuar para 11,5% ao ano até dezembro. “O segundo semembro será de recuperação gradual, com o crédito imobiliário voltando a crescer a partir de outubro”, projeta João Cunha, presidente da Abrainc.
Enquanto isso, a dica para quem pode esperar é monitorar a ata do Copom na terça e as projeções de inflação. Caso o IPCA-15 de julho, no dia 23, fique abaixo de 0,3%, as chances de corte em setembro aumentam. Até lá, vale comparar ofertas de bancos e buscar simulações com a Caixa, que lidera o mercado com 68% de participação no crédito imobiliário.


