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O bairro do Rio que ninguém queria e virou o mais caro para alugar por temporada em 2026

Com alta de 47% nos preços desde janeiro, Pechincha, na Zona Oeste, lidera ranking de valorização de aluguéis de curta duração. Entenda por que os investidores estão de olho.

Redação Perspectiva Imobiliária·
O bairro do Rio que ninguém queria e virou o mais caro para alugar por temporada em 2026

O mercado de aluguel por temporada no Brasil está passando por uma transformação silenciosa. Dados do índice AlugueTemporada/FipeZap, divulgados nesta quarta-feira (15), mostram que o preço médio do metro quadrado para locação de curta duração subiu 6,8% no segundo trimestre de 2026, impulsionado por bairros que antes estavam fora do radar dos investidores.

O grande destaque do trimestre foi o bairro do Pechincha, no Rio de Janeiro. Com uma valorização de 47% nos aluguéis de temporada desde janeiro, o bairro da Zona Oeste alcançou o maior preço médio por diária entre as capitais monitoradas: R$ 287. “A procura por imóveis perto de áreas verdes e com boa infraestrutura de serviços cresceu muito após a pandemia, e Pechincha reúne esses atributos a um custo ainda relativamente baixo de aquisição”, explica Marina Rocha, economista da Abrainc.

Em São Paulo, a tendência de valorização de bairros periféricos também se confirmou. A Mooca, na Zona Leste, registrou alta de 28% nos aluguéis por temporada no primeiro semestre de 2026, puxada pela inauguração do novo polo gastronômico na Rua da Mooca e pela chegada de duas novas estações de metrô. “O investidor que comprou um studio na Mooca em 2024 já viu o retorno mensal médio saltar de R$ 2.800 para R$ 3.900 em 2026”, afirma o Secovi-SP.

Já o mercado de aluguéis tradicionais (longo prazo) segue pressionado pelo aperto monetário. Com a Selic em 13,25% ao ano desde a última reunião do Copom, em junho, muitos inquilinos migraram para contratos de temporada como alternativa para driblar os reajustes do IGP-M, que acumula alta de 11,2% nos últimos 12 meses. “A locação por temporada virou uma válvula de escape para famílias que precisam de flexibilidade e não querem ficar presas a contratos longos com correções anuais elevadas”, observa o economista-chefe da Anbima, Carlos Nogueira.

Os números da B3 corroboram essa mudança de comportamento. O índice de fundos imobiliários de tijolo (IFIX) subiu 3,4% em julho, puxado pelos FIIs de logística e residenciais voltados à locação temporária. “O mercado está precificando que o aluguel de curta duração vai continuar crescendo acima da inflação nos próximos anos, especialmente em cidades médias como Campinas e São José dos Campos, que tiveram altas de 22% e 18% respectivamente no trimestre”, destaca relatório da XP Investimentos.

A tendência, no entanto, não é unânime. Em Brasília, o aluguel por temporada no Plano Piloto recuou 5% no último mês, reflexo da saída de servidores públicos federais transferidos para outros estados após a reforma administrativa aprovada em maio. Já em Salvador, a alta de 12% nos voos internacionais para o Carnaval 2027 já está elevando as diárias na Barra e no Rio Vermelho.

Para o investidor, a mensagem é clara: diversificar geograficamente e ficar atento às mudanças regulatórias. O Projeto de Lei 2.334/26, em tramitação no Congresso, propõe regras mais rígidas para plataformas de aluguel por temporada, como a obrigatoriedade de cadastro municipal. “Quem entrar agora em bairros emergentes tem chances de altos retornos, mas precisa monitorar a legislação local. O jogo está mudando rápido”, conclui Rocha.

Com a Selic em patamar elevado e a inflação de serviços ainda resiliente, os aluguéis por temporada devem continuar sendo um termômetro importante do mercado imobiliário brasileiro. E, pelos dados deste trimestre, o mapa dos bairros valorizados já não é mais o mesmo.

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