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Selic a 11,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

Com o Copom mantendo a taxa em 11,75% na quarta-feira, quem financiou R$ 500 mil em 30 anos viu a parcela inicial saltar 8% em um mês. Veja os números por faixa de renda.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 11,75%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última quarta-feira (12), manter a Selic em 11,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que vinha desde o fim de 2025. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, não impediu que os bancos ajustassem suas tabelas de financiamento imobiliário: segundo dados da Abrainc divulgados nesta terça-feira, a taxa média dos contratos com recursos da poupança subiu de 10,4% para 10,8% ao ano em agosto, o maior patamar desde janeiro.

O impacto prático é imediato. Simulações feitas pelo portal com base nas tabelas da Caixa e do Itaú mostram que, para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pela tabela Price, a parcela inicial passou de R$ 4.420 para R$ 4.780 — um acréscimo de R$ 360 por mês, ou 8,1%. Quem ainda não comprou, porém, pode respirar: o Banco Central sinalizou, na ata do Copom divulgada hoje cedo, que a manutenção da taxa é temporária, condicionada à trajetória da inflação e do câmbio.

No mercado secundário, o movimento é de cautela. O índice de preços de imóveis usados do FipeZap subiu apenas 0,2% em julho, ante 0,5% no mês anterior, sugerindo que os vendedores já estão precificando a alta dos juros. Em São Paulo, imóveis acima de R$ 1 milhão ficaram parados em média 47 dias, contra 32 dias no início do ano, segundo dados da Secovi-SP. Já no segmento de médio padrão (R$ 300 mil a R$ 700 mil), a procura segue firme, puxada pelo uso do FGTS e por condições mais favoráveis no Minha Casa, Minha Vida.

Para quem está financiando, a recomendação dos especialistas é clara: tentar travar a taxa atual, mesmo que isso signifique dar uma entrada maior. Levantamento da B3 mostra que contratos com taxa prefixada já representam 62% das novas operações, ante 48% no primeiro trimestre. "Quem conseguir amortizar 10% do saldo devedor antes da virada do índice vai economizar o equivalente a duas parcelas", afirma Ricardo Menezes, sócio da consultoria GRI, em entrevista ao portal.

No trimestre em curso, a projeção é de que o volume de crédito imobiliário atinja R$ 62 bilhões, 5% abaixo do mesmo período de 2025, segundo estimativas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). A desaceleração, no entanto, é desigual: enquanto o Sudeste sente o freio, o Nordeste cresce 12% em lançamentos, puxado por programas estaduais de subsídio.

A dica final: antes de assinar o contrato, verifique se a taxa oferecida é a 'cheia' ou se há espaço para negociação. Com a Selic estável, os bancos estão mais abertos a reduzir spread para clientes com bom relacionamento. Nesta semana, por exemplo, o Santander lançou uma linha com taxa a partir de 9,99% para quem financia acima de R$ 800 mil — um sinal de que a guerra por clientes de alta renda segue acesa, mesmo em cenário de juros altos.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom
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