Selic a 11,25%: quanto sua parcela subiu após o Copom desta semana
O Copom elevou a taxa básica para 11,25% na quarta-feira (12). Simulamos o impacto real no financiamento de imóveis de R$ 500 mil e mostramos como driblar o aperto.

O Banco Central anunciou na quarta-feira (12) o terceiro aumento consecutivo da Selic, que passou de 11% para 11,25% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, já tem efeito imediato sobre as novas contratações de crédito imobiliário e sobre as parcelas de quem tem contratos com juros atrelados à taxa básica.
Segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana, as taxas médias do financiamento imobiliário com recursos da poupança subiram de 10,9% para 11,1% ao ano em agosto. Para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 360 meses com entrada de 20%, a parcela inicial saltou de R$ 3.900 para R$ 4.020 — um acréscimo de R$ 120 por mês, o equivalente a R$ 43 mil ao longo do contrato.
O impacto é ainda maior nos contratos pós-fixados, que acompanham a Selic. Levantamento da Fipezap mostra que, desde o início do ciclo de alta, em maio, o valor das parcelas subiu 4,8% para quem optou por essa modalidade. Por isso, especialistas recomendam atenção redobrada antes de assinar o contrato: comparar taxas entre bancos e considerar o uso do FGTS para reduzir o valor financiado.
A boa notícia é que o mercado de imóveis segue aquecido. As vendas de imóveis novos cresceram 12% no segundo trimestre, segundo a Secovi-SP, e os lançamentos em São Paulo registraram o melhor semestre desde 2020. A demanda forte, impulsionada pelo déficit habitacional, tem reduzido a repassibilidade do aumento dos juros para os preços, que continuam subindo em ritmo moderado.
Para quem já tem contrato em andamento, a recomendação é avaliar a portabilidade: com a alta da Selic, muitos bancos estão oferecendo condições agressivas para captar clientes de outras instituições. Uma simulação feita pelo Banco Central mostra que a portabilidade pode reduzir a parcela em até 8% se houver uma diferença de 0,5 ponto percentual na taxa.
O Copom sinalizou que pode interromper o ciclo de alta na próxima reunião, em setembro, caso a inflação continue comportada. Mas, enquanto isso, quem planeja comprar um imóvel deve agir rápido: as condições de hoje ainda são melhores do que as que podem vir nos próximos meses, e a negociação pode ser feita com base na taxa atual.
Em resumo, a alta da Selic encareceu o crédito, mas não inviabilizou o sonho da casa própria. Com planejamento, pesquisa e uso inteligente do FGTS, ainda é possível encontrar financiamentos com taxas menores do que a média do mercado.


