Selic a 11%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana
O Copom manteve a taxa básica em 11% ao ano, mas o impacto no financiamento já apareceu: com a alta dos juros longos, o valor da parcela média subiu até R$ 380. Veja como isso afeta seu bolso e o que fazer agora.

O Banco Central decidiu manter a Selic em 11% ao ano na reunião do Copom desta semana, interrompendo o ciclo de cortes que vinha desde o ano passado. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, não trouxe alívio para quem pretende financiar um imóvel: os juros longos, que são a base dos contratos imobiliários, subiram na esteira das incertezas fiscais e da alta da inflação de curto prazo.
Segundo dados da Abrainc, a taxa média do financiamento imobiliário com recursos da poupança saltou de 10,7% para 11,2% ao ano nos últimos 30 dias. Isso significa que, para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela subiu cerca de R$ 380 por mês. No acumulado do trimestre, o valor médio do financiamento subiu 5%, puxado pela demanda reprimida e pela oferta reduzida de crédito.
O impacto é direto no bolso do comprador. Enquanto a Selic estava em 10,5% no início do ano, o mercado precificava juros menores nos contratos de longo prazo. Agora, com a sinalização do Copom de que a taxa deve permanecer estável até 2027, os bancos reprecificaram suas linhas. O FipeZap aponta que o preço médio do metro quadrado nas capitais subiu 1,8% em agosto, mas o custo efetivo da compra, com juros, já é o maior desde 2022.
Para quem está pensando em comprar, a hora exige cautela. Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam simular diferentes cenários de taxa e considerar a portabilidade. "Quem tem contrato assinado antes da alta já garantiu juros menores, mas quem está negociando agora precisa comparar as condições com atenção", afirma Marcos Siqueira, economista-chefe da Secovi-SP. A dica é usar a simulação do Banco Central para verificar se a taxa oferecida está acima da média do mercado.
No mercado de imóveis usados, a alta dos juros também derruba a liquidez. Segundo a B3, as vendas de imóveis usados caíram 7% em relação ao mês passado. Já no lançamento, as incorporadoras estão oferecendo condições especiais, como subsídio de juros nos primeiros anos, para atrair compradores. A tendência é que, com a Selic estável, os bancos mantenham taxas elevadas até o fim do ano, o que pode esfriar o mercado no último trimestre.
A conclusão é clara: a decisão do Copom desta semana não muda a Selic, mas muda o preço do seu financiamento. Se você está no limite do orçamento, talvez valha esperar uma nova rodada de corte, projetada para 2027. Mas se encontrou o imóvel certo, negociar taxas e prazos pode ser a chave para não pagar mais caro agora. Fique de olho no próximo Copom, marcado para setembro, e nas sinalizações do Banco Central sobre o rumo dos juros.


