Selic a 10,75%: quanto a parcela do seu financiamento subiu esta semana
Com o Copom mantendo os juros em 10,75% ao ano, bancos já repassaram o aumento para novas contratações. Veja o impacto real na parcela de um imóvel de R$ 500 mil.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, que manteve a Selic em 10,75% ao ano, veio acompanhada de um movimento silencioso nos balcões dos bancos: as taxas de financiamento imobiliário com recursos da poupança subiram, em média, 0,3 ponto percentual desde o último encontro do comitê, em junho. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip), a taxa média para pessoa física saltou de 11,2% para 11,5% ao ano nas novas contratações.
Para quem está de olho no mercado, o efeito prático é imediato. Em um financiamento de R$ 500 mil, com prazo de 30 anos, a parcela inicial subiu de R$ 4.872 para R$ 5.012 — um acréscimo de R$ 140 por mês, ou R$ 1.680 ao ano. O cálculo considera o Sistema de Amortização Constante (SAC), o mais usado no país. O impacto pode parecer pequeno, mas, somado ao aumento dos preços dos imóveis — que subiram 1,2% em julho, segundo o Índice FipeZap —, o custo total da casa própria fica mais pesado justamente em um momento de alta demanda.
A alta das taxas, no entanto, não é uniforme. Enquanto bancos privados como Itaú e Bradesco já repassaram integralmente o novo patamar, as instituições que usam recursos do FGTS, como a Caixa Econômica Federal, seguram as taxas em 9,99% ao ano para imóveis de até R$ 1,5 milhão, mas com limites mais rígidos de financiamento. Essa diferença criou um funil: quem consegue se enquadrar nas regras do FGTS ainda encontra juros atrativos, mas o prazo de análise e a exigência de entrada maior têm feito muitos compradores migrarem para o mercado livre, onde os juros já refletem a Selic atual.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária apontam que a manutenção da Selic, após o ciclo de cortes que começou em meados de 2025, indica que o Banco Central vê risco fiscal à frente — o que pode segurar novas quedas até o fim do ano. Para o comprador, a recomendação é agir rápido: quem já tem aprovação de crédito ou contrato assinado com a Caixa está protegido da alta por até 120 dias, mas novas propostas já entram com as taxas reajustadas. No mercado de imóveis de médio padrão, em bairros como Tatuapé (SP) e Barra da Tijuca (RJ), a correção já aparece nos preços de lançamento, que subiram 2% no trimestre, segundo a Secovi-SP.
Para quem está pensando em comprar, a dica é simular com pelo menos três bancos e considerar a possibilidade de usar o FGTS como entrada, o que reduz o saldo financiado e, consequentemente, o peso dos juros. Outra alternativa que ganha força é o financiamento com recursos das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que, embora tenham taxas mais altas, oferecem prazos maiores e podem valer a pena para quem quer parcelas menores no início. O mercado, como sempre, reage aos estímulos — e a Selic, mesmo estável, segue sendo o termômetro mais importante para o setor imobiliário neste segundo semestre de 2026.


