São Paulo e Balneário Camboriú puxam alta de 28% nos lançamentos imobiliários no 2º tri de 2026
Com mais de 12 mil unidades lançadas entre abril e junho, as duas capitais concentram 40% dos novos projetos do país. No Rio, estoque enxuto segura preços na Zona Sul.

O mercado imobiliário brasileiro viveu um segundo trimestre de 2026 aquecido, com São Paulo e Balneário Camboriú respondendo por 40% dos lançamentos nacionais. Dados do Secovi-SP e da Associação de Incorporadoras de Santa Catarina mostram que, somente em junho, foram lançadas 4.200 unidades na capital paulista e 1.800 em Balneário Camboriú — alta de 28% ante o mesmo período de 2025.
Em São Paulo, a região oeste (Pinheiros, Vila Madalena e Butantã) concentrou 60% dos novos empreendimentos, com destaque para projetos de alto padrão na faixa de R$ 12 mil a R$ 18 mil por metro quadrado. O presidente do Secovi-SP, José Carlos Rodrigues, atribui o movimento à redução da taxa Selic para 9,5% ao ano no último Copom de junho, o que turbinou o crédito imobiliário. “Com juros mais baixos, o financiamento voltou a ser viável para a classe média alta”, afirmou.
Já Balneário Camboriú lançou cinco edifícios residenciais de luxo no primeiro semestre, todos com mais de 40 andares e preços acima de R$ 20 mil/m². A cidade catarinense, que viu seu estoque de imóveis novos cair para menos de 300 unidades em julho, vive um boom impulsionado pela demanda de investidores do Sul e do Sudeste. A Abrainc aponta que o VGV (Valor Geral de Vendas) dos lançamentos no município somou R$ 4,2 bilhões no trimestre — recorde histórico.
No Rio de Janeiro, o cenário é diferente: os lançamentos diminuíram 12% em relação ao primeiro trimestre, com apenas 2.600 unidades novas entre abril e junho. A Zona Sul, especialmente Ipanema e Leblon, teve oferta praticamente zerada de imóveis acima de 200 m². Para o diretor de mercado da Ademi-RJ, Carlos Oliveira, a falta de terrenos disponíveis e o alto custo de construção limitam novos projetos. “Os preços médios na orla já ultrapassam R$ 25 mil/m², e a tendência é de valorização de 5% a 7% até o fim de 2026”, projeta.
Apesar da concentração regional, o mercado como um todo mostra resiliência. Dados da B3 indicam que o índice IMOB subiu 8% no trimestre, puxado por ações de incorporadoras como Cyrela, Eztec e Even. Analistas do Itaú BBA recomendam cautela em Balneário Camboriú, onde o preço médio por metro quadrado já supera o de bairros nobres de São Paulo, mas veem oportunidades em bairros paulistanos como a Barra Funda e Água Branca, que receberão novos projetos comerciais e residenciais nos próximos meses.
Para quem busca investir, a dica dos especialistas é ficar de olho nos lançamentos de terrenos com potencial de valorização em regiões de expansão urbana, como a Zona Leste de São Paulo e a Grande Florianópolis. “O momento é de entrada antes que os preços subam mais. O crédito está mais barato e a demanda reprimida por imóveis de médio padrão é forte”, conclui o economista da FGV Marcelo Oliveira.

