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O bairro que ninguém queria em 2022 hoje domina o aluguel por temporada no Brasil

Enquanto São Paulo e Rio perdem força, bairros 'esquecidos' explodem em diárias. Dados da plataforma AlugueTemporada mostram que a corrida por preços baixos e autenticidade virou o jogo em 2026.

Redação Perspectiva Imobiliária·
O bairro que ninguém queria em 2022 hoje domina o aluguel por temporada no Brasil

O mercado de aluguel por temporada no Brasil vive uma reviravolta silenciosa nesta semana de julho de 2026. Dados da plataforma AlugueTemporada, divulgados na última quarta-feira (15), apontam que bairros periféricos de capitais e cidades médias do interior assumiram a liderança em ocupação e lucro, superando os tradicionais bairros nobres do Rio e de São Paulo.

O campeão absoluto do trimestre é o bairro de Sapopemba, na zona leste de São Paulo. Com diárias médias de R$ 89 — contra R$ 320 de Vila Madalena —, a região registrou ocupação de 78% em junho, a maior entre todos os bairros paulistanos monitorados. "Quem investiu em imóveis simples, mas bem localizados perto de transporte público e comércio, colhe retornos de 1,5% ao mês sobre o valor do imóvel", explica Marina Lopes, pesquisadora do Núcleo de Estudos Imobiliários da FGV.

O fenômeno tem nome: a "fuga do preço alto" combinada com o boom do trabalho remoto. Uma pesquisa do Secovi-SP divulgada em maio mostrou que 62% dos locatários de temporada em 2026 buscam imóveis por mais de 15 dias para trabalhar de casa em outra cidade. "O turista tradicional deu lugar ao nômade digital econômico", afirma o relatório. A ocupação média nacional em junho foi de 64%, a maior para o mês desde 2022.

No Rio, o bairro da Penha, na zona norte, surpreendeu com diária média de R$ 67 e ocupação de 71%, superando Ipanema (58%). "O viajante quer pagar barato e ter acesso a serviços essenciais, não necessariamente praia", comenta Carlos Oliveira, analista do DataZAP. A plataforma registrou aumento de 34% no número de anúncios em bairros de classe média baixa entre janeiro e junho de 2026.

Para quem investe, a dica dos especialistas é clara: fugir do óbvio. "Quem comprou um studio em bairros como Sapopemba ou Penha há dois anos já recuperou 40% do investimento com aluguéis", calcula a Abrainc em nota técnica de 14 de julho. A recomendação é buscar imóveis entre 30 e 50 m², próximos a estações de metrô ou corredores de ônibus.

A tendência deve se consolidar no segundo semestre, com a chegada das férias de julho e dezembro. O Banco Central, em seu último Boletim Focus de 10 de julho, manteve a Selic em 13% ao ano, o que mantém o crédito imobiliário restrito. "Isso empurra mais gente para o aluguel, tanto como inquilino quanto como investidor", conclui o documento.

O conselho do mercado: esqueça a praia e olhe para o subúrbio. O próximo boom pode estar na rua da sua avó.

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