Curiosidades

Revelado: o condomínio de R$ 2,4 bi que fica no topo de um arranha-céu em SP

Uma cobertura duplex no 38º andar, com piscina privativa e heliponto, foi vendida nesta semana por R$ 38 milhões. O que isso diz sobre o topo do mercado imobiliário brasileiro?

Redação Perspectiva Imobiliária·
Revelado: o condomínio de R$ 2,4 bi que fica no topo de um arranha-céu em SP

Uma cobertura duplex no 38º andar, com piscina privativa e heliponto, foi vendida nesta semana por R$ 38 milhões. O que isso diz sobre o topo do mercado imobiliário brasileiro? O negócio, fechado na última segunda-feira (24), aconteceu no Rosewood Tower, empreendimento da Cury Construtora no Brooklin, zona sul de São Paulo. A venda bateu o recorde do ano para apartamentos prontos na cidade, segundo dados do Secovi-SP divulgados ontem.

A unidade tem 1.100 m² de área privativa, sendo uma das maiores já comercializadas no Brasil. O valor do metro quadrado, aproximadamente R$ 34,5 mil, supera em 15% a média do FipeZap para o bairro, que fechou julho em R$ 29,9 mil. A negociação incluiu dois vagas de garagem extras e um acordo de confidencialidade que impede a divulgação do nome do comprador, mas fontes do mercado confirmam que se trata de um empresário do agronegócio.

O que chama atenção não é apenas o valor, mas a velocidade: o imóvel foi lançado em 2023 e, segundo a incorporadora, 92% das unidades já foram vendidas. No trimestre atual, a demanda por coberturas de alto padrão cresceu 22% em relação ao mesmo período de 2025, puxada pela volta de investidores estrangeiros e pela valorização do real. No mês passado, o Banco Central registrou entrada líquida de US$ 1,8 bilhão em capital estrangeiro para o setor imobiliário de luxo.

A venda recorde também reflete um fenômeno mundial: o topo do mercado imobiliário está se desconectando da economia real. Enquanto a Selic permanece em 10,5% ao ano, com o Copom sinalizando manutenção na próxima reunião, os juros altos não afetam a fatia de ultra-ricos, que compram à vista. Um levantamento da Abrainc, divulgado nesta semana, mostra que 34% das transações acima de R$ 20 milhões no Brasil são quitadas sem financiamento, contra 12% em 2020.

Mas essa bolha de luxo tem efeitos práticos para o resto do mercado. O preço médio dos imóveis de alto padrão em São Paulo subiu 9,8% nos últimos 12 meses, pressionando os lançamentos para cima. Segundo a Secovi, 60% dos novos empreendimentos na capital neste ano têm valor de lançamento acima de R$ 10 mil o m², o que empurra compradores de média renda para bairros periféricos.

Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam: o recorde não deve ser lido como sinal de euforia generalizada. O mercado de médio padrão, que responde por 70% das vendas, cresceu apenas 3,5% no trimestre, abaixo da inflação. A recomendação é que investidores fiquem atentos à relação entre preço e aluguel, que em bairros nobres já ultrapassa 20 anos de retorno.

Ainda assim, a venda da cobertura no Rosewood Tower reacende o debate sobre o teto do mercado brasileiro. Com a previsão de entrega do primeiro edifício residencial com mais de 300 metros no Brasil, em 2028, o recorde pode ser quebrado em breve. Até lá, os olhos do mercado estão no próximo lançamento da Cury no mesmo bairro, previsto para setembro.

#mercado imobiliário#recorde#cobertura#São Paulo#luxo
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo