Revelado: golpe do 'rendimento imobiliário' que está roubando R$ 300 milhões no Brasil
Promessa de retorno mensal de 8% atrai 40 mil investidores desde junho; esquema já deixou vítimas em 22 estados e alerta da CVM foi emitido nesta semana

Uma nova modalidade de golpe financeiro está viralizando no Brasil neste mês de agosto, prometendo rendimentos imobiliários de até 8% ao mês. Trata-se do 'Grupo Imóvel Certo', que usa vídeos de influencers e anúncios patrocinados nas redes sociais para atrair pequenos investidores. Em apenas 60 dias, o esquema já teria captado mais de R$ 300 milhões, segundo estimativas da Polícia Federal, que abriu inquérito nesta semana.
A tática é sofisticada: os golpistas criam sites com fotos de lançamentos de luxo em São Paulo e no Rio de Janeiro, exibem contratos falsos de incorporadoras e ainda apresentam depoimentos forjados de 'investidores' que supostamente compraram apartamentos e recebem aluguéis garantidos. O atrativo, no entanto, é o 'programa de renda fixa imobiliária', que promete pagamentos mensais de R$ 800 para cada R$ 10 mil aplicados, com carência de apenas 30 dias.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emitiu um alerta oficial nesta terça-feira, 11 de agosto, informando que o Grupo Imóvel Certo não possui registro para captar recursos. O órgão também ressaltou que a promessa de retorno de 8% ao mês é 'completamente incompatível com o mercado imobiliário real', que rende, em média, 0,5% ao mês com aluguéis, segundo dados do Índice FipeZap de julho. Ainda assim, mais de 40 mil brasileiros já teriam aderido ao esquema, atraídos por vídeos de supostos 'cases de sucesso' exibindo recibos de pagamento e apartamentos recém-comprados.
O golpe ganhou força nas últimas semanas após vídeos de um suposto empresário, identificado como 'Alexandre Mendes', circularem no TikTok e no Instagram, mostrando uma vida de luxo e afirmando que o grupo é uma 'cooperativa de investidores'. A página do grupo já foi retirada do ar três vezes, mas volta com novos nomes e perfis. A Polícia Federal já identificou vítimas em 22 estados, com perdas que variam de R$ 2 mil a R$ 500 mil. Em Goiânia, um casal de aposentados relatou ter aplicado R$ 180 mil, valor que representava 70% de suas economias.
Especialistas em direito do consumidor recomendam que os interessados em investir no setor imobiliário busquem apenas plataformas regulamentadas pela CVM ou pela B3, como os fundos imobiliários (FIIs), que oferecem rendimentos médios de 0,8% ao mês, conforme levantamento da Anbima do segundo trimestre. 'Desconfie de promessas de ganhos muito acima da média do mercado, especialmente quando envolvem urgência e depósitos em contas de terceiros', alerta Marina Costa, advogada do Procon-SP. Ela acrescenta que, antes de qualquer aporte, é possível verificar o CNPJ e o registro do ofertante nos órgãos competentes.
Enquanto isso, a Polícia Federal pediu o bloqueio de bens do Grupo Imóvel Certo, e o Ministério Público de São Paulo já abriu uma ação civil pública. A orientação para quem foi vítima é registrar boletim de ocorrência e notificar o Banco Central, que também recebe denúncias de fraudes financeiras. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram ainda este mês, mas o caso já serve de alerta: no mundo dos investimentos, se a promessa é boa demais para ser verdade, provavelmente é um golpe.
Fique atento: verifique sempre o registro do ofertante na CVM ou no Banco Central, desconfie de rentabilidades superiores a 1% ao mês em renda fixa, e jamais invista por meio de links enviados por WhatsApp ou redes sociais sem antes consultar os canais oficiais de órgãos como a CVM e a Anbima.


