Revelado: a cidade italiana que paga R$ 2.700 para você morar lá
Enquanto o Brasil debate aluguel, essa comuna na Calábria oferece salário mensal e casa reformada para novos moradores. Saiba como se candidatar ainda este ano.

Enquanto o Brasil debate o custo do aluguel e o sonho da casa própria, uma pequena comuna na Itália resolveu inverter a lógica: em vez de cobrar, está pagando para gente morar lá. Desde o início deste mês, o programa "Residência Ativa" de Riace, na Calábria, oferece 500 euros (cerca de R$ 2.700) mensais por até dois anos, além de uma casa reformada, para quem aceitar se mudar para a região até dezembro de 2026.
A iniciativa, que começou como um projeto-piloto em 2025, ganhou força nesta semana com a aprovação de um novo lote de 50 moradias. A prefeitura local, em parceria com a região da Calábria, destina parte de um fundo europeu de 2 milhões de euros para atrair novos residentes. A medida responde a um problema crônico: a população local caiu 60% desde 1990, e a idade média já passa dos 65 anos.
O modelo não é exatamente novo — vilarejos como Sambuca e Mussomeli já fizeram ofertas semelhantes — mas Riace se destaca pelo valor pago em dinheiro, convertido em moeda local para gastos na cidade. Segundo dados divulgados pela prefeitura neste mês, 120 famílias já se inscreveram, 70% delas de brasileiros, portugueses e espanhóis.
Para se candidatar, é preciso ter renda mínima comprovada de 1.200 euros mensais (fora o benefício), se comprometer a morar no local por pelo menos 3 anos e abrir um pequeno negócio ou prestar serviço voluntário à comunidade. As inscrições ficam abertas até 30 de setembro, e a seleção acontece em outubro.
Vale o aviso: as casas, em sua maioria, são charmosas, mas antigas — muitas foram construídas antes de 1900. A reforma é bancada pela prefeitura, mas o novo morador precisa bancar móveis e eletrodomésticos. Especialistas consultados pelo Perspectiva Imobiliária alertam que o custo de vida local é baixo, mas o acesso a serviços de saúde e educação é limitado, o que pode ser um problema para famílias com crianças.
A tendência não é exclusiva da Itália. Na Espanha, a região de Aragão lançou neste mês um programa semelhante, com 100 euros mensais para nômades digitais. No Japão, a cidade de Nanto já paga 600 mil ienes (cerca de R$ 22 mil) por família para quem ocupar casas tradicionais "akiya" — mas exige residência permanente. No Brasil, nada parecido existe, e o mercado segue travado na discussão sobre juros e financiamento.
A pergunta que fica é: você toparia mudar para uma vila medieval na Itália em troca de um salário garantido? O programa promete ser uma alternativa real para quem busca recomeço — mas exige coragem para abraçar o desconhecido. As inscrições estão abertas e o prazo final é 30 de setembro.


