Reforma em SP: 40 bairros mudam de zoneamento na próxima semana
Nova lei altera uso do solo em áreas da Zona Leste e Sul, podendo valorizar imóveis em até 25%. Veja se o seu bairro está na lista.

A Prefeitura de São Paulo confirmou nesta semana que a revisão do zoneamento urbano, aprovada em junho, entra em vigor na próxima segunda-feira. A medida atinge 40 bairros, principalmente na Zona Leste e na Zona Sul, e promete reconfigurar o mercado imobiliário da capital.
Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, os bairros do extremo leste, como São Mateus e Cidade Tiradentes, terão coeficiente de aproveitamento mínimo ampliado de 0,5 para 1,0. Isso significa que os terrenos poderão receber construções com o dobro da área atual. Na Zona Sul, áreas como Capela do Socorro e Parelheiros também foram incluídas, com incentivos para habitação de interesse social.
Para o mercado, a mudança já gera expectativa. Levantamento do Secovi-SP divulgado na última terça-feira indica que terrenos em bairros com potencial construtivo ampliado podem valorizar entre 15% e 25% nos próximos 12 meses. "A tendência é que os preços do metro quadrado subam antes mesmo da aprovação de novos projetos", afirma o economista-chefe da entidade, Carlos Alberto Dias.
A revisão também cria mecanismos de contrapartida. Construtoras que quiserem aproveitar o potencial adicional terão que pagar outorga onerosa, com valores reajustados em 12% em relação à tabela anterior. A previsão da prefeitura é arrecadar R$ 2,3 bilhões até o fim de 2027, recursos que serão destinados a obras de infraestrutura nas próprias regiões beneficiadas.
Moradores e pequenos investidores já começam a reagir. Na região do Itaim Paulista, o número de consultas sobre viabilidade de construção nos postos da prefeitura cresceu 40% em julho, segundo dados da própria gestão. Profissionais do setor recomendam atenção: "É preciso avaliar se o terreno já está no raio de influência de linhas de metrô e corredores de ônibus, porque isso potencializa o ganho", orienta a urbanista Renata Meyer, da consultoria Urbem.
A oposição na Câmara Municipal, no entanto, questiona a pressa na implementação. O vereador João Carlos (PT) protocolou nesta semana um pedido de audiência pública extra para discutir impactos em áreas de manancial, especialmente na represa Billings. "Não podemos repetir erros do passado, quando zoneamento permissivo gerou ocupação irregular e danos ambientais", argumenta.
Para quem investe em imóveis na capital, a recomendação dos especialistas é clara: verifique se o seu imóvel ou terreno está em área afetada. A lista oficial foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira e está disponível no site da prefeitura. "O momento é de planejamento, não de compra por impulso", conclui Renata Meyer.


