Reforma do Minha Casa Minha Vida: 3 faixas de renda mudam em 30 dias
Senado aprova nesta semana reajuste de 12% nos limites do programa; famílias com renda até R$ 9.600 podem ser contempladas. Veja quem entra e quem sai.

O Congresso Nacional aprovou nesta semana a reforma do Minha Casa Minha Vida, com mudanças significativas nas faixas de renda do programa. A medida, que segue para sanção presidencial, promete reajustar os limites em 12%, refletindo a inflação acumulada desde 2023. Com isso, famílias com renda bruta de até R$ 9.600 poderão ser incluídas na Faixa 3, antes limitada a R$ 8.600.
Segundo dados da Abrainc, o déficit habitacional brasileiro permanece em cerca de 5,8 milhões de moradias, e a expectativa é que a ampliação das faixas beneficie mais 1,2 milhão de famílias nos próximos quatro anos. O relator da matéria, deputado Ricardo Silva (PSD-SP), afirmou que a atualização era necessária para acompanhar o aumento dos custos de construção, que subiram 9,4% no último ano, conforme o INCC.
A nova tabela define a Faixa 1 para renda bruta familiar de até R$ 3.120; a Faixa 2, de R$ 3.120 a R$ 5.600; e a Faixa 3, de R$ 5.600 a R$ 9.600. Na prática, quem está no limite superior da Faixa 2 poderá financiar imóveis de até R$ 350 mil, enquanto a Faixa 3 passa a permitir financiamentos de até R$ 500 mil, com juros a partir de 8,5% ao ano, dependendo do banco.
Especialistas do Secovi-SP avaliam que o reajuste pode aquecer o mercado de médio padrão, especialmente em capitais como São Paulo e Brasília, onde o preço médio do metro quadrado subiu 7,3% no segundo trimestre de 2026, segundo o FipeZap. Por outro lado, a medida pressiona o orçamento do programa, que deve crescer 18% neste ano, chegando a R$ 42 bilhões, conforme estimativas do Banco Central.
A oposição criticou a falta de contrapartidas, como a revisão das metas de entrega de unidades. Nos últimos 12 meses, o programa entregou 340 mil moradias, abaixo da meta de 400 mil. O governo, no entanto, defende que o reajuste é um primeiro passo e que novas medidas, como a ampliação do subsídio para a Faixa 1, serão anunciadas após a sanção.
Para as construtoras, a notícia é positiva: ações de empresas do setor, como MRV e Direcional, subiram em média 4,5% na B3 desde a aprovação. O mercado aposta em aumento de lançamentos focados no público da Faixa 3, que tende a ter maior poder de compra.
Se você está pensando em comprar um imóvel, fique atento: as novas regras valem a partir de outubro. Consulte um corretor ou o site da Caixa para verificar se você se enquadra nas novas faixas. A mudança pode ser a oportunidade que faltava para sair do aluguel.


