Política

Redução no FGTS Futuro derruba financiamento imobiliário em R$ 2,3 bilhões em julho

Dados da Abrainc mostram que a queda na velocidade das obras e o aperto no crédito refletem nova regra do Conselho Curador. Veja o impacto na sua parcela.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Redução no FGTS Futuro derruba financiamento imobiliário em R$ 2,3 bilhões em julho

A nova regulamentação do FGTS Futuro, aprovada pelo Conselho Curador do fundo em 14 de agosto, já produz efeitos no mercado. Dados preliminares da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) divulgados nesta semana indicam que os financiamentos com o instrumento somaram R$ 4,7 bilhões em julho, uma queda de 32% em relação ao mesmo mês de 2025. O programa, que usa o saldo futuro do trabalhador como garantia, agora exige margem de 20% do salário comprometida e um score mínimo de 650 pontos.

A restrição veio em resposta ao aumento da inadimplência, que saltou de 2,8% para 4,9% nos últimos 12 meses, segundo o Banco Central. Para o economista José Márcio Camargo, da consultoria RC Consultores, a medida é necessária para conter o risco sistêmico. "O FGTS Futuro é uma inovação importante, mas estava sendo usado por famílias com renda muito volátil, o que gerava calotes", afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Na ponta prática, o comprador de imóvel na planta sente a diferença no bolso. Simulações da Secovi-SP mostram que, para um apartamento de R$ 350 mil, a entrada exigida subiu de R$ 30 mil para R$ 60 mil, e a parcela mensal média aumentou 18%. "A regra anterior permitia sonhar com a casa própria, agora é preciso ter um pé de meia maior", diz a corretora Ana Cláudia Souza, que atua na zona sul de São Paulo.

A restrição também mexe com o andamento das obras. Um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que 17% das incorporadoras médias adiaram o lançamento de novos empreendimentos neste trimestre. A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) estima que o impacto no PIB do setor será de R$ 8 bilhões até dezembro, caso o ritmo de vendas não se recupere.

No Congresso, a bancada da construção civil já articula um projeto de lei para flexibilizar as regras, permitindo o uso do FGTS Futuro para quitação de parcelas de consórcio. A proposta, apresentada nesta quarta-feira pelo deputado Paulo Guedes (PL-MG), ainda precisa passar pelas comissões de Trabalho e de Finanças. Enquanto a tramitação não avança, o mercado recomenda cautela: para quem está negociando, vale renegociar com a construtora e comparar com o crédito imobiliário tradicional.

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