Reality show gera R$ 2,1 bi em vendas imobiliárias; veja quem lucra
Por trás das câmeras, o fenômeno pop movimenta um mercado bilionário: incorporadoras, bancos e até a B3 lucram com os bastidores financeiros do sucesso.

O reality show ‘Casa dos Sonhos’, que estreou sua terceira temporada em junho deste ano, já movimentou R$ 2,1 bilhões em vendas de imóveis até o fim de julho, segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana. O programa, que transforma participantes em ‘designers de interiores’ de casas de luxo, virou um motor inesperado para o setor imobiliário brasileiro.
A dinâmica é simples: os participantes reformam propriedades reais em bairros nobres de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, e os imóveis são vendidos ao final de cada episódio. A atração, produzida em parceria com uma grande incorporadora, viu o preço médio dos imóveis saltar 23% após a exibição, conforme levantamento da FipeZap.
Por trás das câmeras, o dinheiro circula em várias frentes. A Globo, que licencia o formato para a América Latina, embolsou R$ 180 milhões em direitos de transmissão e merchandising neste trimestre. Já os bancos parceiros, como Itaú e Bradesco, oferecem linhas de crédito exclusivas para os compradores dos imóveis do reality, com taxas a partir de 0,89% ao mês — um nicho que já soma R$ 340 milhões em financiamentos aprovados.
A B3 também se beneficia: as ações das construtoras envolvidas no programa, como a Cyrela e a MRV, tiveram alta média de 8,5% nos dias de exibição, segundo análise da Ativa Investimentos. “O efeito reality show é real: ele gera desejo, visibilidade e, principalmente, confiança no produto. O público compra não só o imóvel, mas a história”, afirma a economista-chefe da Abrainc, Maria Fernanda Costa.
Mas nem tudo é glamour. Especialistas alertam que o sucesso do formato pode inflar artificialmente os preços em regiões alvo. No bairro do Morumbi, em São Paulo, o preço do metro quadrado subiu 31% desde a estreia da primeira temporada, em 2024 — um ritmo muito acima da média da cidade, que foi de 9% no mesmo período, segundo o Secovi-SP. Para o consumidor, o risco de supervalorização é real, e a orientação é avaliar o imóvel além do hype.
Para os investidores, a dica é ficar de olho nas incorporadoras que assinam contratos de longo prazo com os reality shows. A tendência é que novas temporadas sejam anunciadas para 2027, com expansão para cidades como Belo Horizonte e Curitiba. Como a Selic deve permanecer em 10,5% ao ano até o fim de 2026, segundo o último Copom, o crédito imobiliário continua atraente — e o apelo dos holofotes, cada vez mais lucrativo.


