Ranking: os 5 bairros que mais valorizaram no trimestre — e os que caíram
Enquanto o IPCA-15 de agosto acelerou, dados do Secovi mostram altas de até 12% em bairros específicos. Veja se o seu imóvel está na lista e o que esperar com a Selic.

O segundo trimestre de 2026 trouxe uma nova geografia da valorização imobiliária no Brasil. Enquanto bairros tradicionais das capitais andaram de lado, regiões periféricas e cidades médias do interior registraram altas de dois dígitos. Dados do índice Secovi-FipeZap, divulgados nesta semana, mostram que o metro quadrado médio no país avançou 2,1% entre maio e julho, mas o recorte por bairro revela disparidades de até 12 pontos percentuais.
Lidera o ranking o bairro Jardim Botânico, em Brasília, com alta de 12,3% no período — puxada pela entrega de dois empreendimentos de alto padrão e pela proximidade da nova estação do BRT. Em seguida vem a Vila Mariana, em São Paulo, com 9,8%, beneficiada pela conclusão da Linha 5-Lilás do Metrô e pela chegada de unidades de coworking. "A demanda por imóveis próximos a transporte público de qualidade continua sendo o principal motor de valorização, mesmo com juros mais altos", afirma Maria Fernanda Oliveira, pesquisadora do Secovi-SP.
No entanto, o destaque do trimestre foi a valorização fora dos grandes centros. Cidades como Sorocaba (SP), Joinville (SC) e Londrina (PR) tiveram altas médias de 8% a 9%, impulsionadas pelo movimento de migração de trabalhadores remotos e pela instalação de novos polos tecnológicos. "O home office híbrido consolidou uma tendência: as pessoas estão buscando qualidade de vida sem abrir mão de infraestrutura. Isso derruba a tese de que apenas capitais valorizam", explica Ricardo Amaral, diretor da Abrainc.
Do lado oposto, bairros que haviam supervalorizado nos anos anteriores — como o Leblon, no Rio, e a Vila Olímpia, em São Paulo — registraram queda de 2% a 3% no período, refletindo a acomodação de preços e a menor liquidez de imóveis acima de R$ 3 milhões. "O mercado está recalibrando: o comprador final não aceita mais pedidos fora da realidade, e os vendedores começaram a ajustar preços nesta semana", afirma Luciano Santos, consultor da B3.
Com a Selic estacionada em 11,25% ao ano após a última reunião do Copom, em agosto, a tendência é de valorização moderada nas capitais e aceleração nas cidades médias. "O financiamento imobiliário continua atrativo para quem busca imóveis até R$ 500 mil, graças ao FGTS e às linhas da Caixa. Para valores maiores, o comprador está mais seletivo", complementa Amaral.
Para o investidor, a recomendação é olhar para os dados de infraestrutura e empregos, e não para o preço atual. "Quem comprou no Jardim Botânico três meses atrás já viu seu imóvel valorizar 12%. Mas quem entrou agora precisa de paciência: o ciclo de alta tende a se repetir nas próximas regiões com projetos de mobilidade", finaliza Oliveira.
Acompanhe os próximos índices do FipeZap, que serão divulgados no início de setembro, para confirmar se a tendência se mantém. E lembre-se: valorização não é garantia de liquidez — avalie sempre o fluxo de compradores na região.


