Ranking: as 5 cidades onde o m² subiu até 18% no 2º trimestre
Nordeste dispara e interior de SP surpreende: veja os dados do FipeZap que revelam onde o m² subiu até 18% no trimestre — e se sua cidade entrou na lista.

O segundo trimestre de 2026 consolidou uma virada no mercado imobiliário brasileiro: enquanto as capitais do Sudeste desaceleram, cidades médias do Nordeste e do interior de São Paulo roubam a cena com valorizações de dois dígitos. Segundo o índice FipeZap, divulgado nesta semana, o preço médio do metro quadrado no Brasil subiu 3,2% no período, mas a variação esconde disparidades regionais que podem reorientar a estratégia de investidores.
Liderando o ranking, João Pessoa (PB) registrou alta de 18,4% no m², que fechou junho em R$ 9.842. O movimento é puxado pela expansão do programa Minha Casa Minha Verde, que combina subsídios a imóveis sustentáveis, e pela migração de aposentados em busca de qualidade de vida. Já em Fortaleza, a valorização de 15,7% (m² a R$ 11.230) reflete a chegada de novos empreendimentos na zona Oeste e a melhora na infraestrutura de mobilidade, com a linha Leste do VLT prevista para 2027.
No Sudeste, a surpresa vem de São José do Rio Preto, no interior paulista, com alta de 12,9% e m² a R$ 8.460. A cidade se beneficia da expansão de centros de distribuição e do agronegócio, além da chegada de um campus do Instituto Tecnológico de São Paulo (ITESP). Segundo a Abrainc, a procura por imóveis de médio padrão na região cresceu 22% em relação ao primeiro trimestre, puxada pela geração de empregos locais.
Ainda no ranking, Chapecó (SC) e Maringá (PR) completam a lista com altas de 11,2% e 9,8%, respectivamente. Ambas se destacam pela diversificação econômica e pela baixa vacância de escritórios, o que atrai investidores de FIIs. Em Chapecó, o m² vale em média R$ 7.890, enquanto em Maringá o valor é de R$ 7.230.
Para o consultor da Secovi-SP, André Petcov, o movimento indica uma busca por cidades com menor custo de entrada e maior potencial de rendimento. "O investidor que antes olhava apenas para São Paulo e Rio agora encontra oportunidades em mercados menos saturados, com yields de 0,6% a 0,8% ao mês", afirma. Ele ressalta, porém, que é preciso avaliar a liquidez: "Em cidades menores, a revenda pode levar mais tempo."
Com a Selic estável em 10,5% ao ano, conforme a última decisão do Copom em agosto, o crédito imobiliário continua aquecido, mas o Banco Central sinalizou possível alta em setembro, o que pode arrefecer o ritmo no próximo trimestre. Especialistas recomendam aproveitar as taxas atuais de financiamento, ainda em torno de 9,9% a 10,5% ao ano para imóveis novos.
Para quem deseja entrar nesses mercados, a dica é monitorar os lançamentos e a evolução da infraestrutura local. Cidades como João Pessoa e Rio Preto ainda têm estoque baixo de imóveis de alto padrão, o que pode sustentar a valorização nos próximos meses. Mas, como alerta a Abrainc, o momento exige cautela: "O investidor deve verificar a real demanda por locação e o histórico de preço das regiões antes de fechar negócio", recomenda a entidade.


