Ranking: 5 cidades que mais valorizaram no 2º tri, até 18%
Levantamento do FipeZap divulgado esta semana mostra Goiânia, Fortaleza e outras três cidades com alta expressiva. Veja se a sua está na lista e o que explica a disparada.

Enquanto a média nacional dos preços de imóveis residenciais subiu 2,3% no segundo trimestre, um grupo seleto de cidades brasileiras viu seus imóveis valorizarem até 18% no mesmo período, segundo dados do índice FipeZap divulgados nesta semana. O ranking, que considera as 50 cidades monitoradas, revela uma mudança geográfica importante: o interior e o Nordeste lideram, enquanto as capitais tradicionais como São Paulo e Rio ficaram para trás.
No topo da lista, Goiânia surpreendeu com alta de 18,4% no preço médio do metro quadrado, que atingiu R$ 8.975. O boom é atribuído à expansão do agronegócio e à chegada de novos empreendimentos logísticos, que atraíram trabalhadores e investidores. Em segundo lugar, Fortaleza registrou 16,7% de valorização, impulsionada pelo mercado de temporada e pela retomada do turismo internacional. O preço médio na capital cearense chegou a R$ 9.340.
Completam o ranking das cinco maiores altas: João Pessoa (14,2%), onde programas de incentivo fiscal para construtoras aqueceram o mercado; Campinas (12,9%), beneficiada pela proximidade com o aeroporto de Viracopos e pela migração de empresas de tecnologia; e Vitória (11,5%), que vive um momento de escassez de terrenos e alta demanda por imóveis novos. No outro extremo, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram altas tímidas de 2,1% e 1,9%, respectivamente, refletindo a saturação de oferta e os juros ainda elevados.
O economista-chefe da Abrainc, João Menezes, explica que o fenômeno não é pontual: "Observamos desde o início do ano uma migração de investidores para cidades menores, onde o preço de entrada é mais baixo e o potencial de rendimento com aluguel é maior. O ciclo de alta da Selic, que voltou a subir no último Copom, reforça essa busca por ativos reais e descentralizados." Menezes lembra que, com o financiamento mais caro, o comprador de primeira viagem tende a procurar regiões com melhor custo-benefício.
Para quem quer entrar nesse movimento, o desafio é escolher a cidade certa antes da próxima onda. Dados do Secovi-SP indicam que, em cidades como Goiânia e Campinas, a velocidade de venda de imóveis novos é 35% maior do que na capital paulista. Além disso, o aluguel nessas regiões subiu, em média, 9% no último ano, contra 5% nas metrópoles, segundo levantamento do QuintoAndar.
Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam cautela: "Valorização alta em curto prazo pode ser sinal de bolha local, especialmente se não houver geração de renda acompanhando", alerta a analista da Anbima, Carla Duarte. Ela sugere que o investidor avalie indicadores como vacância imobiliária, crescimento do PIB municipal e projetos de infraestrutura antes de comprar.
A tendência, no entanto, parece consolidada. Com a Selic em 14,25% ao ano e a inflação rodando acima da meta, o investimento imobiliário em cidades emergentes se tornou uma alternativa para proteger o patrimônio. Se você tá pensando em comprar, o momento é de pesquisa: o ranking completo do FipeZap está disponível no site do índice, e a próxima atualização sai em setembro.


