Ranking: 3 capitais que dispararam até 18% no 2º trimestre de 2026
Enquanto São Paulo e Rio patinam, cidades médias lideram alta de preços. Veja onde o m² subiu mais e se ainda há chance de comprar antes da virada.

O segundo trimestre de 2026 fechou com um ranking surpreendente: enquanto São Paulo e Rio de Janeiro registraram alta modesta de 2,1% e 1,8% no preço médio do metro quadrado, respectivamente, segundo o índice FipeZap, três capitais de porte médio dispararam até 18% em apenas três meses. O movimento, que começou a ganhar força no fim do ano passado, consolidou uma nova rota de investimento imobiliário no Brasil.
No topo da lista está Palmas, no Tocantins, com valorização de 18,2% no trimestre — puxada pela chegada de um novo polo logístico às margens da BR-153 e pela expansão do setor de serviços. Em seguida, aparece João Pessoa, com 15,7%, impulsionada pelo turismo internacional e pela migração de investidores do Sudeste em busca de imóveis de alto padrão à beira-mar. Fechando o pódio, Campinas, no interior paulista, com 12,9%, beneficiada pelo mercado de trabalho aquecido e pela demanda por galpões industriais e residenciais de médio padrão, de acordo com dados da Abrainc.
O que explica esse boom fora do eixo tradicional? Para o economista-chefe da Secovi-SP, Ricardo Menezes, a combinação de juros ainda elevados (a Selic está em 12,75% após o último Copom, em agosto) e preços altos nos grandes centros empurra os investidores para cidades com maior potencial de rendimento e menor preço de entrada. "O investidor está procurando yield — e as capitais médias oferecem aluguel de 8% a 10% ao ano, contra 4% a 5% em São Paulo", afirma Menezes em entrevista recente.
Outro fator relevante é a infraestrutura. No primeiro semestre, o governo federal liberou R$ 4,2 bilhões em recursos do PAC para mobilidade urbana nessas três cidades, incluindo a construção de corredores de ônibus e a duplicação de rodovias de acesso. Em Palmas, por exemplo, o novo centro de distribuição de uma grande varejista deve gerar 3 mil empregos diretos até o fim do ano, elevando a demanda por moradias próximas — e os preços já refletem isso.
Mas atenção: especialistas alertam que nem toda alta é sustentável. Em João Pessoa, o mercado imobiliário vive um momento de euforia com lançamentos de alto padrão, mas a absorção — ou seja, a velocidade de venda — caiu de 85% para 65% entre junho e julho, segundo dados locais do Sindicato da Habitação. "Há risco de bolha em alguns bairros específicos, principalmente na orla. O investidor precisa olhar não só a valorização passada, mas a renda da população local e a taxa de vacância", alerta a analista da consultoria Brain, Paula Nunes.
Para quem quer entrar nesse mercado agora, a recomendação é buscar imóveis em bairros que ainda não subiram tanto, mas que se beneficiam dos mesmos vetores de crescimento. Em Campinas, por exemplo, os distritos industriais e as áreas próximas às universidades federais seguem com preços 20% abaixo da média da cidade, mas com potencial de apreciação atrelado à chegada de novas empresas de tecnologia.
A tendência para o trimestre que começa agora é de continuidade, ainda que com ritmo menor. O Banco Central prevê queda da Selic para 11,5% ao final de 2026, o que deve baratear o crédito imobiliário e estimular ainda mais a demanda. No entanto, a alta nos materiais de construção, que acumula 6,8% no ano segundo o INCC, pode limitar novos lançamentos e pressionar os preços para cima em todo o país. Ficar de olho no ranking e nos fundamentos de cada cidade é, mais do que nunca, essencial para não comprar no pico.


