Ranking: 15 cidades onde o m² subiu até 38% no 2º tri; veja sua cidade
Levantamento com dados de 120 cidades revela as campeãs de valorização entre abril e junho. Algumas surpresas no Nordeste e capitais fora do eixo SP-RJ. Confira se a sua entrou na lista.

O segundo trimestre de 2026 virou o jogo para o mercado imobiliário brasileiro. Enquanto o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na reunião da semana passada, os preços dos imóveis dispararam em cidades médias e capitais fora do eixo tradicional. Levantamento inédito da Abrainc com dados de 120 municípios, cruzado com o Índice FipeZap, mostra que 15 cidades tiveram alta superior a 20% no m² entre abril e junho. O destaque é a região Nordeste, que emplacou seis das dez primeiras posições.
A campeã absoluta foi Maceió, com impressionantes 38% de valorização no trimestre. O m², que custava R$ 5.200 em março, saltou para R$ 7.180 em junho. O que explica esse boom? A combinação de lançamentos de alto padrão na orla, o aumento do fluxo de investidores estrangeiros e a conclusão de obras de infraestrutura para a Copa do Nordeste. "É um movimento real, não especulativo", afirma Ana Carla Fonseca, economista-chefe da Abrainc. "A cidade tem estoque baixo e demanda forte de quem busca segunda residência."
Mas não é só no litoral. Em São Paulo, a surpresa ficou com o bairro do Brás, que registrou alta de 28% no m², impulsionado pela chegada da Linha 6-Laranja do metrô, cujas obras foram aceleradas neste semestre. Já em Curitiba, o bairro Santa Felicidade viu o m² subir 24% após a aprovação de um novo plano de zoneamento que liberou prédios de até 20 andares. Enquanto isso, o Rio de Janeiro, que costumava liderar os rankings, viu sua valorização média ficar em 9%, puxada pelo Porto Maravilha e pela Zona Sul.
O que está por trás desse movimento? Além da Selic estável, o Banco Central passou a exigir, desde maio, um percentual maior de recursos próprios em financiamentos de imóveis de alto padrão, o que redirecionou o capital institucional e de pessoa física para cidades com menor ticket médio. Dados da B3 mostram que o volume de investidores pessoa física em títulos de CRI ligados a imóveis nessas cidades cresceu 45% no trimestre. É o chamado "efeito interior", que já foi observado nos EUA e agora se consolida no Brasil.
Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam cautela: nem toda alta é sustentável. "Cidades que sobem 30% em um trimestre podem sofrer correção no seguinte", alerta Marcos Siqueira, analista da consultoria Buildings. "O investidor precisa olhar o fundamento: geração de emprego, renda e infraestrutura." Ele cita o exemplo de Mossoró (RN), que valorizou 31%, mas tem alta dependência do setor de energia eólica — um risco caso haja mudança de subsídios.
Para esta semana, o mercado acompanha a divulgação do IPCA-15, que pode antecipar o próximo movimento do Copom em setembro. Se a inflação vier acima de 0,30%, a chance de alta da Selic aumenta, o que pode esfriar o crédito e o ritmo de valorização no terceiro trimestre. Por isso, o momento é de avaliar oportunidades com lupa, mas também de agir rápido: as cidades que lideram o ranking podem não ficar acessíveis por muito tempo. Confira a lista completa com as 15 cidades e os bairros mais quentes no site da Perspectiva Imobiliária.


