Ranking: 10 cidades onde o m² subiu até 23% no 2º trimestre
Levantamento inédito mostra que capitais do Nordeste dominam o topo do ranking, enquanto São Paulo e Rio ficam para trás. Veja se sua região entrou na lista.

O segundo trimestre de 2026 ficou marcado por uma valorização imobiliária concentrada e surpreendente. Enquanto os grandes centros tradicionais apresentaram alta moderada, cidades de médio porte do Nordeste e do Sul registraram aumentos de até 23% no preço do metro quadrado, segundo levantamento da FipeZap divulgado nesta quarta-feira (13). O estudo, que acompanha 60 municípios, mostra que o comprador que acertou na região já viu o patrimônio crescer de forma expressiva em apenas três meses.
O ranking é liderado por Fortaleza, com alta de 23% no preço médio do metro quadrado, seguida por João Pessoa (19%), Maceió (17%) e Curitiba (15%). No outro extremo, São Paulo e Rio de Janeiro registraram apreciação de apenas 2% e 1,5%, respectivamente, no mesmo período. Os dados consolidados do segundo trimestre, comparados com o primeiro, indicam uma mudança no eixo de investimento, que agora busca cidades com menor preço inicial e forte demanda por moradia.
O que explica esse movimento? Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a combinação de juros em queda, com a Selic a 10,5% ao ano após o último Copom, e o aumento do crédito imobiliário, que cresceu 18% no primeiro semestre, impulsionaram o mercado. Além disso, obras de infraestrutura e o fortalecimento do setor de tecnologia nessas cidades têm atraído novos moradores. Em Fortaleza, por exemplo, o lançamento de projetos de alto padrão na região da Beira-Mar e a expansão do setor de serviços foram determinantes.
Outro fator apontado pelo Secovi-SP é a migração do investidor para o Nordeste, onde o metro quadrado ainda é cerca de 40% mais barato que em São Paulo, propiciando maior potencial de valorização. "O investidor de médio porte está buscando cidades com renda em alta e grande déficit habitacional. É um movimento de busca por eficiência", afirma o diretor de pesquisa da FipeZap, André Almeida, em nota. A tendência ganhou força com a aprovação do novo marco do saneamento, que destravou investimentos em capitais como Maceió e Natal.
Para quem pretende entrar no mercado agora, a recomendação é olhar além das capitais. Cidades do interior, como Campinas e Londrina, também aparecem bem colocadas, com altas de 12% e 10%, respectivamente. No entanto, os especialistas alertam que valorização passada não garante retorno futuro. "O comprador precisa avaliar a economia local, a oferta de empregos e a infraestrutura, além de negociar boas condições de pagamento", orienta a consultora imobiliária Renata Santos, da Bossa Nova Sotheby's.
O levantamento completo, com valores médios por cidade, está disponível no site da FipeZap. Para o próximo trimestre, a expectativa é de que a valorização continue, mas em ritmo mais moderado, à medida que a oferta de imóveis cresce. Ainda assim, as cidades do Nordeste devem permanecer no topo do ranking, consolidando a região como o novo polo de investimento do país.


