Política

Prefeitura de SP aprova zoneamento que permite prédios de até 60 andares em 30 bairros

Nova lei urbanística sancionada nesta semana amplia coeficientes construtivos em eixos de transporte e redefine gabaritos, gerando debate entre setor imobiliário e movimentos de moradia.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Prefeitura de SP aprova zoneamento que permite prédios de até 60 andares em 30 bairros

A Prefeitura de São Paulo sancionou nesta terça-feira (14) a Lei de Zoneamento nº 18.092/2026, que altera parâmetros urbanísticos em 30 bairros da capital. A principal novidade é a permissão para edifícios residenciais e comerciais de até 60 andares em corredores de ônibus e estações de metrô, antes limitados a 40 pavimentos. A medida vale para regiões como Santo Amaro, Itaim Bibi e Santana, onde o coeficiente de aproveitamento salta de 2,5 para 4,0.

O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal em 8 de julho, com 38 votos favoráveis e 12 contrários, e sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, a meta é adensar áreas bem servidas por transporte público e frear a expansão horizontal. Dados da prefeitura indicam que a cidade tem 23% dos imóveis vazios, muitos em bairros periféricos.

O mercado imobiliário reagiu positivamente. O Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi-SP) estima que a nova lei pode gerar R$ 8 bilhões em novos lançamentos no segundo semestre de 2026. Já o Índice FipeZap de julho mostra alta de 0,8% nos preços de apartamentos na capital, influenciada pela expectativa do zoneamento.

Por outro lado, entidades como a União dos Movimentos de Moradia (UMM) criticam a medida. Em nota, afirmam que a verticalização pode encarecer o solo e expulsar moradores de baixa renda. “Sem contrapartidas claras de habitação social, o zoneamento privilegia o capital imobiliário”, disse a coordenadora Marina Santos em protesto na quarta-feira (15) na Praça da Sé.

Especialistas apontam riscos. O urbanista Paulo Mendes, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de São Paulo, alerta que a infraestrutura atual – como rede de água e esgoto – pode não suportar o adensamento. “A Sabesp precisa de investimentos urgentes, mas o plano diretor anterior já previa esse crescimento”, afirma.

A prefeitura defende que a lei inclui mecanismos de compensação, como outorga onerosa e destinação de 10% da área construída para habitação de interesse social. A fiscalização caberá à Secretaria de Licenciamento, que promete agilizar análises para evitar estoque de terrenos.

Com a sanção, a capital paulista se alinha a tendências observadas em outras metrópoles. No Rio de Janeiro, a prefeitura estuda revisão do plano diretor para 2027, enquanto Belo Horizonte aprovou em maio aumento de gabarito em bairros centrais. O impacto a longo prazo dependerá da capacidade de gestão e do controle do mercado.

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