Congresso aprova novas faixas do Minha Casa Minha Vida e surpreende mercado imobiliário
Nesta quarta-feira, 17 de julho, o Congresso Nacional aprovou a ampliação das faixas de renda do programa habitacional, elevando o teto para R$ 9.500 mensais. A mudança já impacta lançamentos e vendas no trimestre atual.

Em sessão histórica realizada nesta quarta-feira (17), o Congresso Nacional aprovou o reajuste das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A nova regra eleva o teto da Faixa 3 de R$ 8.000 para R$ 9.500 mensais, conforme dados do relatório da Comissão Mista de Orçamento. A medida, que havia sido proposta pelo governo em maio, foi sancionada com amplo apoio da base aliada e de parte da oposição.
Segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), a ampliação deve beneficiar cerca de 380 mil famílias que estavam na 'zona cinzenta' entre os programas habitacionais e o mercado privado. Em entrevista coletiva, o presidente da entidade afirmou que a decisão 'corrige uma distorção histórica' e que o impacto já será sentido nos lançamentos do segundo semestre de 2026.
Dados do Secovi-SP indicam que, no último mês, o número de unidades vendidas no programa MCMV caiu 6% em relação ao mesmo período de 2025, reflexo da defasagem das faixas anteriores. Com a aprovação, a expectativa é de retomada do crescimento, especialmente em regiões metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o preço médio do metro quadrado subiu 9,4% no trimestre atual (FipeZap).
A decisão também agrada ao setor de construção civil, que vinha pressionando por uma atualização desde o início do ano. Em nota, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o reajuste pode gerar até 150 mil novos empregos diretos nos próximos 12 meses. O Banco Central, em seu último Relatório de Inflação, já havia sinalizado que o impulsionamento da construção civil poderia ajudar a conter a desaceleração econômica.
Críticos da medida apontam que o aumento do teto pode desequilibrar o orçamento do programa, que já consumiu R$ 12,8 bilhões do FGTS neste ano. No entanto, o Ministério das Cidades garantiu que o impacto fiscal será compensado por uma redução de subsídios em outras modalidades. A votação ocorreu em meio a protestos de movimentos de moradia, que pedem a volta da faixa 1 para rendas de até R$ 2.400, congelada desde 2023.
Para os investidores, a notícia é positiva. As ações das principais construtoras listadas na B3 subiram, em média, 4,2% no pregão desta quarta-feira. A Cyrela, por exemplo, registrou alta de 5,1%, impulsionada pela perspectiva de aumento da demanda por imóveis de até R$ 350 mil, valor máximo previsto para a nova faixa em São Paulo.
Na prática, o comprador com renda familiar de até R$ 9.500 poderá financiar imóveis de até R$ 380 mil com juros de 7,5% ao ano, contra os 9,2% do mercado tradicional. A Caixa Econômica Federal já confirmou que começará a operar as novas regras a partir da próxima segunda-feira. A expectativa é que as vendas do programa cresçam 25% no trimestre corrente, segundo projeções da Abrainc.


