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A cidade-sede da maior obra de 2026: por que um município do Nordeste lidera a valorização imobiliária no trimestre

Enquanto São Paulo e Rio perdem ritmo, uma cidade nordestina dispara com alta de 8,2% no segundo trimestre de 2026, impulsionada por investimentos federais e migração de tech workers.

Redação Perspectiva Imobiliária·
A cidade-sede da maior obra de 2026: por que um município do Nordeste lidera a valorização imobiliária no trimestre

O segundo trimestre de 2026 trouxe uma surpresa no mercado imobiliário brasileiro. Dados divulgados nesta semana pelo Índice FipeZap mostram que a maior valorização não ocorreu em capitais tradicionais, mas em uma cidade média do Nordeste: Mossoró (RN). Com alta de 8,2% no preço médio do metro quadrado entre abril e junho, o município superou São Paulo (1,9%), Rio de Janeiro (2,4%) e até mesmo o boom de Balneário Camboriú (3,1%).

O que explica esse fenômeno? Especialistas apontam a conclusão da primeira fase do Complexo Industrial-Portuário de Mossoró, obra federal de R$ 12 bilhões que gerou 45 mil empregos diretos na região. “A cidade se tornou um polo de serviços e logística, atraindo engenheiros, técnicos e profissionais de tecnologia que migraram de outros estados”, afirma Carlos Menezes, economista da Abrainc.

O ranking da FipeZap para o trimestre (abril a junho de 2026) é liderado por Mossoró (8,2%), seguido por São José dos Campos (SP) com 6,7%, impulsionado pela expansão do setor aeroespacial e da indústria 4.0. Em terceiro, aparece Vitória (ES) com 5,9%, beneficiada pela retomada das obras da ponte que liga o Espírito Santo ao sul da Bahia. Já a campeã de 2025, Balneário Camboriú, caiu para o sétimo lugar com 3,1%, sinal de acomodação após anos de alta.

“O mercado está migrando do litoral para o interior produtivo”, observa a pesquisa da Secovi-SP divulgada ontem (16/07). Enquanto as capitais do Sudeste registram estabilidade nos preços — com São Paulo variando 0,3% em junho —, cidades médias com vocação industrial ou logística ganham fôlego. Brasília (DF) também aparece com alta de 4,2% no trimestre, reflexo da aprovação do novo marco regulatório dos fundos imobiliários no Congresso, que injetou R$ 8 bilhões no setor em junho.

Para o investidor, a recomendação dos analistas é clara: olhar além dos grandes centros. “Mossoró ainda tem potencial de alta nos próximos meses, mas é preciso cautela com a oferta de novos empreendimentos”, alerta a Anbima em relatório de julho. Já quem prefere segurança pode mirar São José dos Campos, que une demanda aquecida e estoque controlado — o município tem apenas 2,1 meses de oferta, contra 7,4 da média nacional.

No mercado de fundos imobiliários, a valorização das cotas de FIIs ligados a imóveis nessas cidades também chamou atenção. O fundo XP Logística Urbana, com exposição a galpões em Mossoró e São José dos Campos, subiu 11% no mês de junho, segundo dados da B3. Enquanto isso, a liquidez nos leilões de imóveis da Caixa Econômica Federal cresceu 30% na região Nordeste no trimestre, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira (15/07).

A tendência para o segundo semestre, de acordo com a última ata do Copom (publicada em 10/07), é de manutenção da Selic em 9,5% ao ano, o que mantém o crédito imobiliário competitivo. Com juros estáveis e inflação controlada (IPCA de 3,8% no acumulado em 12 meses até junho), a procura por imóveis deve continuar aquecida. Mas o foco, agora, está nas cidades que ‘acordaram’ para o desenvolvimento — e Mossoró é o nome do momento.

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