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Aluguel por temporada no Brasil: curta duração cresce 23% no 2º tri de 2026

A preferência por aluguéis de curta duração dispara no Brasil, impulsionada por nômades digitais e reforma tributária. Dados do Secovi-SP apontam alta de 23% nas locações por temporada no 2º trimestre de 2026.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada no Brasil: curta duração cresce 23% no 2º tri de 2026

O mercado de aluguel residencial no Brasil vive uma guinada histórica neste primeiro semestre de 2026. Dados do Secovi-SP divulgados nesta semana mostram que as locações por temporada — contratos de até 90 dias — cresceram 23% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto os contratos tradicionais de longo prazo recuaram 5%. A mudança de comportamento reflete uma combinação de fatores econômicos e sociais.

Entre os motores desse movimento está o aumento expressivo do número de nômades digitais no país. Segundo levantamento do Ministério do Turismo, o Brasil recebeu 1,2 milhão de trabalhadores remotos estrangeiros no primeiro semestre de 2026, alta de 34% ante o mesmo período de 2025. Cidades como Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo concentram a demanda, com diárias médias entre R$ 250 e R$ 600, dependendo da localização.

A reforma tributária aprovada no Congresso em abril também influenciou o mercado. A nova regulamentação do Imposto de Renda para locações de curta duração estabeleceu alíquotas progressivas que tornaram mais atrativo o aluguel por temporada em detrimento do contrato tradicional. A Anbima estima que o retorno líquido para proprietários em imóveis de temporada seja até 18% maior que no aluguel convencional.

Outro fator relevante é a inflação de serviços, que subiu 0,46% em junho, segundo o IPCA. Com o aperto monetário — a Selic está em 13,75% após a última reunião do Copom —, famílias têm buscado flexibilidade. “O locatário prefere contratos mais curtos para não se comprometer com reajustes anuais elevados”, afirma o economista-chefe do Secovi-SP, Eduardo Zaidan.

No entanto, a tendência também traz desafios. A oferta de imóveis para temporada cresceu 31% nas plataformas digitais desde janeiro, segundo dados da Abrainc, pressionando os preços em bairros turísticos. Em Copacabana, o aluguel por temporada caiu 7% no trimestre, enquanto no Jardim Paulista a diária média subiu 12%, indicando migração para áreas mais nobres.

Para os investidores, o momento exige calibragem. Imóveis bem localizados e com boa infraestrutura para home office tendem a ter maior ocupação — a taxa média nacional de ocupação em temporada atingiu 78% em junho, maior nível desde 2022. A recomendação de especialistas é diversificar entre contratos de curta e longa duração, aproveitando a liquidez do mercado de temporada sem abrir mão da estabilidade de inquilinos de longo prazo.

#aluguel por temporada#nômades digitais#mercado imobiliário
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