Política

Prefeitura de SP aprova revisão do zoneamento que amplia adensamento em corredores de ônibus

Nova lei, sancionada nesta quinta-feira (16/07), altera coeficientes construtivos em 42 corredores viários. Medida busca destravar oferta de imóveis e conter alta dos preços, mas enfrenta críticas de urbanistas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Prefeitura de SP aprova revisão do zoneamento que amplia adensamento em corredores de ônibus

A Prefeitura de São Paulo sancionou nesta quinta-feira (16/07) a revisão do Plano Diretor Estratégico com foco na ampliação do adensamento populacional ao longo dos corredores de ônibus municipais. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial, altera coeficientes construtivos em 42 eixos viários, permitindo prédios de até 24 pavimentos — antes o limite era 18.

De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, a expectativa é que a mudança desbloqueie um potencial construtivo adicional de 18 milhões de metros quadrados. O secretário da pasta afirmou, em coletiva nesta semana, que a revisão “busca direcionar o crescimento para áreas com infraestrutura de transporte consolidada, reduzindo a pressão sobre zonas estritamente residenciais”.

O setor imobiliário reagiu positivamente. Em nota, o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) calculou que os novos parâmetros podem acelerar o lançamento de 12 mil unidades até o final de 2027, contribuindo para conter a alta de preços — o Índice FipeZap acumula variação de 12,8% nos últimos 12 meses na capital paulista.

Por outro lado, entidades de urbanismo e moradia criticam a falta de contrapartidas ambientais. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP) divulgou parecer técnico apontando que a ampliação do adensamento sem revisão do sistema de drenagem pode agravar enchentes já recorrentes, como as registradas em fevereiro deste ano na Zona Leste. Já a Frente de Luta por Moradia Digna protocolou ação popular questionando a ausência de estudos de impacto de vizinhança.

A votação na Câmara Municipal foi apertada: 29 votos favoráveis contra 24 contrários. O projeto tramitava desde março e sofreu 78 emendas, sendo que a mais polêmica — que propunha reduzir recuos obrigatórios — foi rejeitada em plenário na última segunda-feira.

Para os investidores imobiliários, o cenário é de oportunidade, mas requer cautela. A corretora B3 listou nesta manhã três fundos imobiliários com exposição a empreendimentos nos novos eixos: o FII Porto Seguro (PSGR11), o CSHG Prime Offices (HGPO11) e o BR Properties (BRPR11), todos com alta de até 2,3% no pregão de ontem.

A prefeitura promete publicar nos próximos 30 dias um decreto regulamentando os novos parâmetros, incluindo incentivos para fachadas verdes e sistemas de captação de água pluvial. Urbanistas defendem que a eficácia da medida dependerá de fiscalização rigorosa e investimentos concomitantes em transporte público, cujo edital de expansão da Linha 20 do Metrô segue em análise no Tribunal de Contas do Município.

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