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Locação por temporada no Brasil bate recorde de ocupação neste inverno; aluguel tradicional recua 0,8% em junho

Dados do Secovi-SP mostram que contratos de curta duração em cidades litorâneas e capitais do Sudeste atingiram 89% de ocupação média em junho, impulsionados pelo dólar alto e pela flexibilização do home office. Enquanto isso, o aluguel residencial tradicional caiu pelo segundo mês consecutivo, pressionado pela oferta de imóveis novos entregues no primeiro semestre.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Locação por temporada no Brasil bate recorde de ocupação neste inverno; aluguel tradicional recua 0,8% em junho

A locação por temporada tem roubado a cena no mercado imobiliário brasileiro neste inverno de 2026. Dados do Secovi-SP divulgados na segunda-feira (13) indicam que a taxa de ocupação de imóveis para temporada nas principais praias do litoral paulista e fluminense atingiu 89% em junho, o maior patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2019. Em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, a ocupação também surpreendeu: 78% nos bairros centrais, contra 72% no mesmo período de 2025.

O movimento é explicado por dois fatores conjunturais. O dólar, que oscila perto de R$ 6,20 desde maio, desestimulou viagens ao exterior e redirecionou a demanda para destinos nacionais. Além disso, o avanço do home office híbrido — adotado por 34% das empresas de médio e grande porte no trimestre atual, segundo pesquisa da FGV — permitiu que profissionais passassem períodos mais longos em casas de temporada sem comprometer a rotina de trabalho. “O aluguel por temporada deixou de ser apenas lazer e virou estratégia de trabalho e moradia temporária”, afirma Ana Paula Rocha, economista do Secovi-SP.

No segmento de locação tradicional, o cenário é oposto. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da FipeZap, registrou queda de 0,8% em junho ante maio, após recuo de 0,5% em maio. No acumulado do primeiro semestre, a alta é de apenas 1,2%, bem abaixo da inflação projetada pelo Banco Central para 2026, de 4,5% pelo IPCA. A pressão vem da oferta: foram entregues 112 mil unidades residenciais novas no primeiro semestre, segundo a Abrainc, muitas delas voltadas ao aluguel por investidores que adquiriram imóveis na planta entre 2021 e 2023.

“Com mais imóveis disponíveis para locação tradicional, os proprietários têm reduzido os preços para evitar vacância. Enquanto isso, a temporada se beneficia da sazonalidade e da disposição do inquilino em pagar mais por flexibilidade”, explica Carlos Castro, analista do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes nesta semana. O banco estima que o rendimento médio de imóveis em temporada no Rio de Janeiro tenha sido 23% superior ao do aluguel tradicional em junho, descontados os custos de administração e manutenção.

A tendência também se reflete na bolsa. As ações de plataformas digitais de locação por temporada — como a QuintoAndar e a Housi — acumulam alta de 12% no mês de julho, enquanto os fundos imobiliários de papel (FIIs de CRIs) recuaram 1,5% no mesmo período, segundo dados da B3. “O mercado está precificando uma mudança estrutural: a preferência por contratos curtos e flexíveis veio para ficar”, diz Luís Fernando Lima, gestor da XP Asset, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.

Para quem está pensando em alugar ou investir, a dica dos especialistas é clara: o imóvel voltado à temporada exige localização privilegiada, boa infraestrutura de internet e um plano de marketing digital ativo. Já o aluguel tradicional, embora com retorno mais baixo no curto prazo, oferece previsibilidade e menor risco de vacância prolongada. A escolha, mais do que nunca, depende do perfil do investidor e da capacidade de se adaptar a um mercado que se divide entre o clássico e o sazonal.

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